Relator da CPMI pede apuração de vínculos entre STF e Banco Master
Alfredo Gaspar defendeu que PF e MPF avaliem possíveis crimes cometidos por ministros e familiares em relações com Daniel Vorcaro
atualizado
Compartilhar notícia

O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), sugeriu, em relatório final apresentado nesta sexta-feira (27/3), que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) investiguem as relações do Banco Master com os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Além disso, Gaspar defendeu que o Senado analise se houve crime de responsabilidade no envolvimento dos magistrados com a instituição financeira — classificada por ele como uma das “maiores fraudadoras de empréstimo consignado” — e com seu controlador, Daniel Vorcaro.
A CPMI discute o relatório de Gaspar nesta sexta-feira (27/3). Se for aprovado, o texto será encaminhado a órgãos responsáveis por avaliar e decidir sobre a apresentação de denúncias com base nas conclusões do colegiado.
Segundo o relator, as investigações conduzidas pelo colegiado “trouxeram à tona elementos indicativos de relações entre integrantes e familiares de membros do Supremo Tribunal Federal e o Banco Master”.
No caso de Dias Toffoli, a relação com o banqueiro envolve uma empresa da família do ministro que vendeu participações no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), para fundos ligados ao Master, como mostrou o Metrópoles. O magistrado também chegou a relatar investigações na Corte envolvendo o banco.
Toffoli deixou a relatoria após a divulgação de que relatórios da Polícia Federal mencionavam seu nome em dados extraídos do celular de Vorcaro.
O ministro classificou os achados como “ilações” e negou qualquer vínculo com o empresário ou com seu cunhado, Fabiano Zettel. Segundo ele, a empresa Maridt se retirou do negócio em fevereiro de 2025. Ele afirmou ainda não ter recebido valores de Vorcaro ou Zettel.
Para Gaspar, o Senado, a PF e o MPF devem apurar se houve práticas ilícitas de Toffoli “no contexto das investigações sobre irregularidades em operações de crédito consignado no INSS”.
O Metrópoles procurou o ministro Dias Toffoli. Até a última atualização desta reportagem, o magistrado não havia se manifestado. O espaço segue aberto.
Em relação a Alexandre de Moraes, o relatório mencionou um contrato de prestação de serviços jurídicos firmado entre o Banco Master e o escritório da esposa do ministro, a advogada Viviane Barci. O Barci de Moraes confirmou o acordo entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.
O relator da CPMI defendeu que a PF e o MPF analisem se as relações da família de Moraes com o Master configuram o crime de tráfico de influência. “Rendo em vista a posição do ministro como integrante ativo do Supremo Tribunal Federal e a sujeição da instituição contratante à regulação e à jurisdição do Tribunal”, disse.
Procurado pelo Metrópoles, o escritório Barci de Moraes afirmou que não vai se manifestar sobre as conclusões do parecer de Alfredo Gaspar.
Filho de Lewandowski
O relator também defendeu investigações sobre contratos firmados por Enrique de Abreu Lewandowski, filho do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, com o Banco Master.
Segundo Gaspar, a apuração deverá verificar a eventual “prática do crime de tráfico de influência, considerando os vínculos familiares com o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal e ex-ministro da Justiça”.
