CPMI: relator pede indiciamentos de Vorcaro e do “Careca do INSS”
Além deles, relator também sugere a apresentação de denúncia contra Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro
atualizado
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O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), pediu, em seu relatório final, os indiciamentos do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS“, por fraudes em empréstimos e cartões consignados envolvendo aposentados e pensionistas.
Além deles, Gaspar também sugere a apresentação de denúncia contra Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, a quem atribui a responsabilidade pela “transição do Master para um modelo de negócio focado no crédito em massa”.
A CPMI discute nesta sexta-feira o parecer final de Gaspar. Caso o relatório seja aprovado, o texto será encaminhado a órgãos responsáveis por avaliar e decidir sobre a apresentação de denúncias, com base nas conclusões do colegiado. Entre as instituições que podem receber o documento estão o Ministério Público Federal e a Advocacia-Geral da União (AGU).
Em seu parecer, o relator solicita que Vorcaro seja investigado por oito crimes. Segundo ele, o Master utilizou o produto Credcesta, que oferecia cartão de crédito consignado, como o “principal motor de crescimento da instituição”.
O deputado apontou que há suspeita de que o Master utilizou uma “manobra” para “ampliar limites da margem consignável”. Alfredo Gaspar também concluiu que as táticas da instituição de Vorcaro forçaram o “comprometimento da renda de aposentados e pensionistas acima de um patamar razoável e com incidência de taxas de juros desreguladas e exorbitantes”.
O relator sinalizou um “padrão grave de desconformidades envolvendo o Banco Master”. Foram identificados, por exemplo, um “elevado volume de reclamação de denúncias de descontos não autorizados” e indícios de que créditos consignados eram concedidos “sem consentimento válido do beneficiário”.
“Em plano ainda mais grave, envolvimento em esquema fraudulento de cessão de carteiras de crédito consignado, com aquisição e repasse de créditos posteriormente apontados como inexistentes ou fraudulentos, tudo isso em contexto de fiscalização deficiente e com repercussões diretas sobre beneficiários do INSS e sobre a higidez do próprio sistema financeiro”, escreveu.
Como mostrou o Metrópoles, o banco de Daniel Vorcaro acumulou quase 15 mil reclamações sobre empréstimos consignados em uma plataforma do governo federal entre 2020 e janeiro de 2026. Em outra base, que reúne registros dos Procons de todo o país, a instituição somou cerca de 9 mil queixas.
Uma análise da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) indicou que, nas duas plataformas, houve aumento expressivo das reclamações relacionadas ao banco em 2025, ano em que a instituição de Vorcaro foi liquidada pelo BC.
A maior parte das queixas — tanto nos Procons quanto na plataforma consumidor.gov.br — refere-se a créditos consignados contratados por servidores públicos, trabalhadores do setor privado, aposentados e pensionistas. Entre 2024 e 2025, apenas na plataforma do governo federal, o número de reclamações sobre o tema mais que dobrou.
Em seu parecer, Alfrdo Gaspar defendeu que Daniel Vorcaro seja investigado por:
- organização criminosa;
- falsidade ideológica;
- inserção de dados falsos em sistema de informática;
- furto qualificado mediante fraude;
- estelionato eletrônico e previdenciário;
- gestão fraudulenta e temerária;
- crime contra a economia popular;
- e lavagem de dinheiro.
“Careca do INSS”
Outro alvo do relatório final de Alfredo Gaspar é o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, que ficou conhecido como “Careca do INSS“. Preso pela Polícia Federal, Antunes é apontado por investigadores como facilitador do esquema que desviou recursos de aposentados e pensionistas.
O deputado afirmou, em seu relatório, que o lobista atuou como o “epicentro da corrupção ativa, unindo os núcleos político, institucional e empresarial para a fraude sistemática contra aposentados”.
Segundo ele, Antônio Carlos Camilo Antune era o “pilar de sustentação” que conectava diversos núcleos do esquema. Gaspar pediu o indiciamento do lobista por seis crimes:
- organização criminosa;
- corrupção ativa;
- lavagem ou ocultação de bens e valores;
- furto mediante fraude com uso de dispositivo eletrônico;
- fraude eletrônica;
- e inserção de dados falsos em sistema de informações.
Em seu parecer, o relator da CPMI do INSS afirmou que o “Careca” usou uma série de procurações de entidades associativas para negociar acordos junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em troca das negociações, Alfredo Gaspar afirmou que o lobista “operou um caixa de propinas”.
Segundo Gaspar, o lobista tinha influência direta sobre dirigentes da Previdência, o que permitia a continuidade de acordos com as associações representadas por ele “em troca de vantagens indevidas”.
Além das relações com o alto comando do INSS, o deputado também mencionou que Antônio Carlos Camilo Antunes pode ter utilizado sua “proximidade” com o Fábio Luís Lula da Silva — filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — para “facilitar seu acesso a órgãos do
governo federal”.
“Lulinha”, como é conhecido o filho do presidente, também teve o indiciamento sugerido pelo relator da CPMI do INSS.
“As investigações conduzidas pela Polícia Federal e por esta CPMI revelaram um padrão consistente de viagens coordenadas entre Fábio Luís, Antônio Carlos Camilo Antunes e Roberta Luchsinger para a Península Ibérica, todas realizadas em assentos de primeira classe e durante o auge do esquema de descontos fraudulentos”, afirmou Alfredo Gaspar.
O parlamentar mencionou “pagamentos mensais de R$ 300 mil” de Antunes ao filho de Lula como “contrapartida justamente a facilitação do acesso de Antônio Camilo a ambientes institucionais estratégicos em Brasília”.
“Conclui-se que Antônio Carlos Camilo Antunes, atuou como o líder e operador financeiro central de uma organização criminosa estruturada para a fraude institucionalizada contra aposentados. Sua função foi descrita como o ‘epicentro da corrupção ativa’, servindo como o elo vital que unia associações fraudulentas, dirigentes do INSS e núcleos políticos de alto escalão para garantir a manutenção de Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) em troca de vantagens indevidas”, afirmou o relator.
“A sofisticação de sua liderança estendeu-se à blindagem patrimonial internacional com a criação de offshores e à tentativa de sucessão criminosa via seu núcleo familiar, consolidando sua posição como o principal artífice técnico e financeiro de um esquema que drenou bilhões de reais de brasileiros hipervulneráveis. Com isso, indicia-se Antônio Carlos Camilo Antunes por ter atuado como o artífice e principal financiador da corrupção institucional no INSS”, acrescentou.
