Reclamações contra Banco Master dispararam no ano da liquidação
Levantamento da Senacon enviado ao Banco Central aponta mais de 24 mil queixas sobre empréstimos consignados
atualizado
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O Banco Master, fundado por Daniel Vorcaro, acumulou quase 15 mil reclamações sobre empréstimos consignados em uma plataforma do governo federal entre 2020 e janeiro de 2026. Em outra base, que reúne registros dos Procons de todo o país, a instituição somou cerca de 9 mil queixas.
Os dados constam em um levantamento da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) encaminhado ao responsável escolhido pelo Banco Central para conduzir o processo de liquidação do Master.
A análise da Senacon indica que, nas duas plataformas, houve aumento expressivo das reclamações relacionadas ao banco em 2025, ano em que a instituição de Vorcaro foi liquidada pelo BC.
A maior parte das queixas — tanto nos Procons quanto na plataforma consumidor.gov.br — refere-se a créditos consignados contratados por servidores públicos, trabalhadores do setor privado, aposentados e pensionistas. Entre 2024 e 2025, apenas na plataforma do governo federal, o número de reclamações sobre o tema mais que dobrou.
Nos Procons, as reclamações sobre consignados para beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) lideraram o ranking do ano passado, com mais de 3 mil registros. Já na plataforma nacional, no mesmo período, a liderança ficou com queixas em consignados de servidores públicos e trabalhadores do setor privado, que somaram 2,9 mil casos.
Ranking de queixas de consumidores do Banco Master
- Entre 2020 e 2026, as reclamações sobre empréstimos consignados — de servidores públicos, beneficiários do INSS e trabalhadores do setor privado — lideraram nas duas plataformas consultadas pela Senacon: foram 9.365 nos Procons e 14.992 no Consumidor.gov.br.
- No período, 7.768 queixas contra o Banco Master referiam-se a cobranças por serviços não solicitados ou não reconhecidos.
- Outras 2.767 reclamações tratavam de cobranças indevidas ou abusivas.
- Ao todo, foram registradas mais de 33 mil queixas no período.
Em ofício enviado ao responsável pela liquidação do Master, o diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, Osny da Silva Filho, afirmou que a Senacon identificou um “volume de demandas registradas nos sistemas envolvendo o Banco Master (antigo Banco Máxima), inclusive no contexto do processo de liquidação da instituição”.
Segundo ele, o compartilhamento das informações com o Banco Central busca “subsidiar a adoção de providências que se mostrem pertinentes no âmbito do processo de liquidação”.
“Especialmente quanto à adequada informação aos consumidores, ao tratamento das demandas pendentes e à mitigação de impactos aos clientes da instituição. A atuação coordenada entre as autoridades competentes é essencial para assegurar previsibilidade, transparência e proteção dos consumidores afetados”, afirmou o diretor.
CPMI mira consignados
O Banco Master entrou na mira de duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) do Congresso: a do INSS e a do Crime Organizado.
Na CPMI do INSS, o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que o colegiado deve mirar os contratos de empréstimos consignados firmados pela instituição de Vorcaro. Sem sinal de prorrogação, a comissão entra em na reta final nesta semana.












