Em reunião, Bolsonaro sinaliza para privatização do Banco do Brasil em 2023

A pedido do ministro Paulo Guedes, presidente do banco público confessou seu "sonho" a Bolsonaro em reunião ministerial

atualizado 22/05/2020 23:10

O sonho do presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, é privatizar a instituição fundada em 1808 ainda no Brasil império, por Dom João VI. Na reunião ministerial de 22 de abril, ele é incentivado a “confessar o sonho” pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Quando Novaes começa a falar “privatização”, o presidente Jair Bolsonaro o interrompe: “Faz assim: só em [20]23 confessa, agora não”. Mas ele confessa.

“Em relação à privatização, eu acho que fica claro que com o BNDES cuidando do desenvolvimento e com a Caixa cuidando da área social, o Banco do Brasil estaria pronto para um programa de privatização, né?”, diz ele ao presidente.

“Isso aí. .. isso aí só se discute, só se fala isso em vinte e três, tá?”, conclui Bolsonaro, cortando a conversa.

Em dezembro do ano passado, Bolsonaro descartou a possibilidade de privatização do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal, que havia sido noticiada pela imprensa que ouviu fontes dentro do governo.

“Se alguém do terceiro escalão fala aquilo, eu não tenho nada a ver com isso, eu não tenho como controlar centenas de milhares de servidores”, afirmou o presidente ao deixar o Palácio da Alvorada em 4 de dezembro do ano passado.

A fala está no vídeo da reunião ministerial que foi divulgado por causa das acusações do ex-ministro Sergio Moro.

Leia a íntegra da reunião ministerial divulgada nesta sexta-feira pelo STF:

Entenda o caso

Moro deixou o Ministério da Justiça no dia 24 de abril acusando o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. Segundo ele, Bolsonaro não só queria indicar alguém de “sua confiança” tanto para a diretoria-geral da PF quanto para as superintendências estaduais, como também queria “relatórios de inteligência” da corporação.

Entre os elementos que, segundo o ex-juiz, provavam suas alegações, estava justamente o vídeo desta reunião ministerial. As imagens foram entregues pela Advocacia-Geral da União (AGU) ao STF, no âmbito de um inquérito que apura as alegações de Moro, mas permaneciam, até então, em sigilo.

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No último dia 12 de maio, o ex-ministro, seus advogados, representantes do governo federal, da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), assistiram ao vídeo juntos, em sessão reservada. Mello atendeu ao pedido de Moro, que defendia o levantamento integral do sigilo — a AGU, por outro lado, queria que apenas as falas do presidente na reunião fossem tornadas públicas.

Veja os vídeos da reunião ministerial liberados pelo STF:

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