
Em encontro no Alvorada, Lula volta a dizer que Lulinha deve se explicar
Caso Lulinha foi tratado em reunião sobre a campanha em SP. Presidente reiterou que filho deve responder à PF e não terá tratamento especial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a dizer, em uma reunião de campanha na noite dessa quarta-feira (19/8), que o filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, terá de prestar esclarecimentos sobre as investigações da Polícia Federal. O encontro tinha como pauta principal a disputa eleitoral em São Paulo.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que atua na defesa de Lulinha e também coordena a campanha de Lula no estado, participou da reunião ao lado do ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, e de outros integrantes da campanha. Carvalho é um dos fundadores do grupo Prerrogativas.
Segundo interlocutores, o caso de Lulinha não estava na pauta inicial e entrou na conversa, por iniciativa de Carvalho, em meio às discussões sobre o cenário eleitoral em São Paulo e as próximas agendas do presidente.
O assunto foi tratado de forma breve. A conversa não avançou sobre medidas jurídicas nem sobre a estratégia da defesa nos inquéritos.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAo Metrópoles, Marco Aurélio de Carvalho afirmou que o tema foi tratado de “forma lateral” e que nada específico sobre a defesa de Lulinha foi discutido.
“Essa não era a ideia. O presidente não fala sobre isso comigo, e eu tenho sigilo profissional e também não pretendo falar com ele sobre isso. Vou fazer a defesa do Fábio de uma forma bastante transparente, muito clara. Interessa ao Fábio, mais do que a qualquer outra pessoa, o esclarecimento de toda e qualquer dúvida que, porventura, possa ter surgido em razão da atividade pessoal e profissional”, disse.
No encontro, Lula repetiu que o filho terá de prestar esclarecimentos sempre que for chamado pela PF ou por outras autoridades. O presidente também reforçou que não vai interferir nas apurações nem dar tratamento especial a Lulinha.
Segundo interlocutores, Carvalho concordou que Fábio Luís deve responder aos questionamentos, mas afirmou que também não aceitará que ele seja tratado de forma diferente por ser filho do presidente.
O advogado disse à reportagem que reiterou a Lula que Lulinha prestará os esclarecimentos necessários e defendeu que ele receba o mesmo tratamento dado a qualquer outro investigado.

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Ver todasVazamentos
Carvalho também reclamou de vazamentos de informações dos inquéritos. A defesa de Lulinha considera que dados das investigações vêm sendo divulgados de forma seletiva por setores da Polícia Federal e atribui a prática a interesses políticos e eleitorais.
O advogado, no entanto, não direcionou as críticas ao comando da corporação. Ele manifestou confiança no diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e avaliou que o próprio chefe da instituição também vem sendo prejudicado pelos vazamentos.
“Ele [Lula] não quer que ninguém seja tratado como se estivesse acima da lei. Mas eu disse a ele, entretanto, que não gostaria que o Fábio, ou qualquer cidadão, fosse tratado como se estivesse abaixo dela, e que eu vou fazer o meu trabalho como advogado”, afirmou Carvalho.
Lula manteve a posição de que as instituições devem atuar com independência e que pessoas investigadas precisam apresentar suas explicações.
A postura é a mesma adotada publicamente pelo presidente nos últimos dias. Na sexta-feira (14/8), Lula afirmou acreditar na versão apresentada pelo filho, mas disse que não pretende agir para interromper as investigações.
“Ele jura que não tem nada. Eu acredito nele. Mas já disse: ninguém vai pedir fechamento de processo do meu filho”, declarou. O presidente acrescentou: “Só ele sabe a verdade. Se não fez, como jura, brigue. Se é culpado, contrate advogado. Eu estou muito tranquilo”.
O que a PF investiga
Lulinha é alvo de ao menos três inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido da Polícia Federal.
Um deles apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negociações envolvendo o Ministério da Saúde. Outro investiga possível favorecimento a empresários na Dataprev. O terceiro apura a atuação de um grupo suspeito de manter negócios ilícitos em áreas do governo federal.
A coluna Tácio Lorran, do Metrópoles, revelou mensagens atribuídas a Lulinha e à lobista Roberta Luchsinger, investigada por suspeita de tráfico de influência. Os diálogos tratam de negócios, reuniões e contatos com integrantes do governo.
A PF também identificou repasses de R$ 1,5 milhão feitos pelo empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, a Roberta. Em uma das transferências, segundo a investigação, o empresário afirmou a um interlocutor que o dinheiro seria destinado ao “filho do rapaz”. A PF apura se a expressão era uma referência a Lulinha.
A defesa nega irregularidades. Os advogados afirmam que Lulinha atua exclusivamente na iniciativa privada, não mantém negócios ligados ao governo federal e que as quebras de sigilo bancário e fiscal não apresentaram provas de práticas ilegais.

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Ver todasCaso Marcola
O caso de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, não foi discutido especificamente na reunião dessa quarta-feira. Segundo interlocutores, porém, Lula mantém uma orientação geral para pessoas próximas ao governo: quem for chamado pelas autoridades deve prestar esclarecimentos e apresentar sua defesa.
Carvalho disse que o presidente adota essa posição tanto em relação ao filho quanto a antigos colaboradores. “Não falamos sobre o Marcola, evidentemente, mas a orientação dele, geral e abstrata, para todo e qualquer colaborador é que as pessoas se expliquem, porque ninguém está acima da lei”, afirmou.
Marcola deixou recentemente a campanha petista após a revelação de que recebeu R$ 249 mil de Roberta Luchsinger. Ele confirmou o recebimento, mas afirmou que o valor era um empréstimo para resolver uma questão familiar e que, posteriormente, quitou a dívida, com juros e correção.
A coluna Tácio Lorran também revelou diálogos entre Roberta e Marcola sobre joias. A PF suspeita que a lobista tenha comprado presentes e pago despesas do então assessor para manter acesso e influência no núcleo do governo.
Interlocutores da defesa de Marcola afirmaram à coluna que as joias custaram R$ 9,2 mil e faziam parte do empréstimo de R$ 249 mil, posteriormente quitado.
Na segunda-feira (17/8), o presidente do PT, Edinho Silva, também afirmou que Lula defende a investigação das suspeitas que envolvem tanto Lulinha quanto Marcola. “Ele já disse isso: se envolvem o Fábio, ele quer que essas denúncias sejam investigadas, da mesma forma que ele quer que as denúncias que envolvem o Marcola também sejam investigadas”, disse.
Campanha em São Paulo
A maior parte da reunião dessa quarta-feira foi dedicada à campanha presidencial em São Paulo. Lula, Haddad, Carvalho e outros integrantes da campanha fizeram um balanço dos primeiros dias da disputa e discutiram as próximas agendas no estado.
Segundo interlocutores, Lula demonstrou otimismo com o cenário eleitoral em São Paulo e afirmou que pretende priorizar o estado nas próximas semanas, sem deixar de cumprir compromissos em outras regiões do país.
O grupo também avaliou positivamente o ato realizado na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, e começou a definir os próximos compromissos do presidente em território paulista.
Carvalho foi escolhido para coordenar a campanha de Lula no estado e passou a acumular a função política com a defesa de Lulinha.



