“Ninguém é dono da fé das pessoas”, diz Boulos em encontro com evangélicos

Declaração ocorre um dia após encontro de Covas com lideranças religiosas de alta cúpula que agradeceram ao prefeito por alvarás

atualizado 23/11/2020 14:28

Guilherme Boulos (PSOL), candidato à prefeitura de São Paulo, durante coletiva de imprensa sobre as alianças partidárias 1Fábio Vieira/Especial Metrópoles

São Paulo – Guilherme Boulos (PSol), candidato à Prefeitura de São Paulo, disse que não há nenhum líder religioso que possa falar em nome de todos os evangélicos porque ninguém é “dono da fé das pessoas”.

“Há pessoas que querem falar em nome do conjunto dos evangélicos. Essas pessoas que só pregam intolerância não falam em nome de todos. Ninguém é dono de uma religião, ninguém é dono de uma fé”, afirmou Boulos.

A declaração foi dada na manhã desta segunda-feira (23/11), em um hotel no centro de São Paulo, durante encontro com cerca de 90 pessoas de diferentes denominações evangélicas simpáticas à candidatura do PSol.

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Muitos participantes são ativos em movimentos sociais de esquerda. O candidato os chamou de “pastores e lideranças evangélicas que são contra a intolerância e o uso da fé das pessoas para fazer promoção política e promoção de discursos contrários aos valores de solidariedade e justiça social”.

A reunião ocorre após seu adversário Bruno Covas (PSDB) ter ido ao altar da Assembleia de Deus e da Igreja Mundial do Poder de Deus. Nos templos, o prefeito foi cumprimentado pessoalmente por líderes como Valdemiro Santiago. Ele agradeceu a Covas por ter permitido a abertura das igrejas durante a pandemia e por ter concedido o alvará para construção de novos templos.

Na reunião, Boulos preferiu dar atenção às demandas do povo evangélico que se assemelham às da população em geral, dando destaque às reivindicações da periferia.

Entre religiosos

Não é a primeira vez que Guilherme Boulos se encontra com lideranças religiosas. Ainda na primeira fase da campanha, o candidato se reuniu com padres, ialorixás e evangélicos simpáticos ao PSol. Na ocasião, o ativista disse a cerca de 20 evangélicos que “as reivindicações dos evangélicos são as mesmas das pessoas que moram na periferia. Quando uma pessoa está na fila do posto de saúde, ninguém pergunta se é evangélico ou se é católico”, discurso que repetiu no encontro de hoje.

O candidato disse que tem a expectativa de que o encontro ressoe nas urnas no domingo das eleições de segundo turno. “Espero um impacto que mostre que muitas lideranças e pastores evangélicos não aceitam o ódio e a instrumentalização da fé como ferramenta política”, declarou.

Se no primeiro turno Guilherme Boulos era o menos preferido entre os evangélicos, agora ele possui intenção de voto em patamares parecidos entre católicos (32%), evangélicos (29%) e pessoas que praticam diferentes formas de espiritismo (33%).

Os números são da pesquisa Datafolha divulgada no dia 19 de novembro, que também indica que Bruno Covas (PSDB) tem a preferência dos seguidores de todas as religiões, ganhando entre católicos (53%), evangélicos (52%) e espíritas (45%).

 

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