“Ano que vem vai ser um evangélico” no STF, promete Bolsonaro em live

Presidente Jair Bolsonaro faz sua tradicional live semanal. Ele confirmou a indicação do jurista Kassio Nunes Marques para o Supremo

atualizado 01/10/2020 20:24

Após confirmar que vai indicar o jurista Kassio Nunes Marques para a vaga do ministro Celso de Mello, que se aposenta este mês do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Jair Bolsonaro sinalizou ao ministro da Justiça, André Mendonça, que ele segue firme na lista e tem chances de ser indicado em 2021, quando mais uma vaga será aberta. “Ano que vem vai ser evangélico”, garantiu o presidente.

“E tem que ter bom currículo, mas ser uma pessoa que eu conheça, que conheça Brasília, os ministros do Supremo”, defendeu. O ministro Marco Aurélio Mello atinge a idade limite em julho do ano que vem.

Bolsonaro disse que tinha 10 nomes na mesa e teve que escolher um, e lamentou que ele tenha recebido ataques. O nome de Marques deve sair no Diário Oficial da União nesta sexta (2/10).

“Começa a atirar no cara. Acusar de comunista, socialista, ligado ao PT. Todo mundo ao longo de 14 anos de PT teve alguma ligação, não quer dizer que seja comunista”, disse Bolsonaro, que também defendeu a liminar do magistrado liberando uma licitação do Supremo que tinha lagostas na lista.

“Se fosse o André Mendonça, também seria atacado”, disse ainda Bolsonaro.

O piauiense Kassio Nunes Marques, de 48 anos, está no Tribunal Regional da Primeira Região (TRF-1) e teve o nome ventilado apenas nesta semana. Ministros do Executivo como Jorge Oliveira e André Mendonça eram cotados, mas Bolsonaro surpreendeu com o nome desse advogado de formação, que chegou à magistratura por meio do Quinto Constitucional e tem fama de ser produtivo e votar rápido.

Desempenhando função de desembargador do TRF-1, Corte da qual foi vice-presidente até o início deste ano, Kassio Nunes Marques ficou marcado como um resolvedor de pendências históricas. Um ex-colega de tribunal conta que o magistrado “se distinguiu porque conseguiu dar encaminhamento e desfecho a acervos imensos”. “Ele chegou a levar até mil processos para julgamento em uma mesma sessão, marcando sua atuação como alguém que tinha reconhecida capacidade de gestão”.

Enquanto advogado, Marques ocupou vários cargos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Piauí e foi suplente do Conselho Federal da OAB. A articulação o ajudou a ser indicado como representante da advocacia na carreira de magistrado (o chamado quinto constitucional) e ainda rende frutos, pois seu nome, desde que veio a público, está despertando efusivos elogios nos meios jurídico e político.

Apoiadores da ala mais conservadora chegaram a reclamar da indicação, mas Bolsonaro não recuou diante da pressão. Ele chegou, porém, a dizer que o ministro André Mendonça ainda estaria na lista, assim como Jorge Oliveira.

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Para virar ministro do Supremo, Marques precisa ser indicado efetivamente e sabatinado pelo Senado. A recepção do nome entre os senadores é, em princípio, positiva. Ele tem a bênção do presidente da Casa, Davi Alcolumbre.

Veja a íntegra da live de Bolsonaro:

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