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O pré-candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, garantiu nesta quarta-feira (4/7) que, se for eleito, irá voltar a discutir as regras da recém aprovada reforma trabalhista. O presidenciável participou de uma sabatina promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.

“Eu sou contra essa reforma trabalhista porque ela é uma selvageria geral”, disse. Ele foi vaiado pela plateia quando tentava explicar sua posição e se alterou ao tentar se defender. “Se quiserem presidente fraco escolham uns dos que conversam fiado por aqui”, afirmou.

Questionado sobre as vaias em entrevista após a sabatina, Ciro afirmou que a reforma é um assunto delicado e, por isso, é natural que discordem dele. “Não acho que um bom presidente do Brasil é aquele que quer agradar a todos. Não me importo de ser vaiado por defender trabalhador. […] Fui aplaudido em outros momentos”, disse.

Ciro defendeu a montagem de um projeto nacional de desenvolvimento que seja capaz de ser construída em uma “ampla junção da centro-esquerda”.

Ao final da sua fala no evento, Ciro abaixou o tom e tentou se reconciliar com a plateia. “Eu queria pedir desculpas pela veemência. Mas eu não estou aqui para ser simpático. Vocês podem não gostar de mim, mas tenham certeza que eu sou um brasileiro disposto a lutar pela nossa pátria”, disse.

O presidenciável afirmou que selou um compromisso com as centrais sindicais para colocar “a bola da reforma trabalhista de novo no meio do campo”. “Eu fui vaiado por uma pequena parcela. Mas eu não tenho vergonha de defender o lado do trabalhador não, se eu for presidente do Brasil eu vou ser presidente dos trabalhadores”, disse.

Sem citar o nome de Henrique Meirelles, pré-candidato à Presidência pelo MDB, Ciro afirmou que não adianta o país eleger “um economista que vai servir de espantalho” e criticou algumas das propostas do colega, que havia participado da sabatina momentos antes. De acordo com ele, Meirelles diz que os subsídios econômicos a alguns setores da economia são “uma impertinência abusiva” e que deveriam ser revogados. “Isso significa destruir o agronegócio em um mês”, disse ele.

Ciro também afirmou que, como cientista político, ele vê o país em um colapso do poder político-democrático. “A desmoralização da Presidência e do Congresso têm permitido essa intrusão dos outros poderes. Uma das tarefas, agora, é restaurar a plena democracia no Brasil”, disse. O candidato aproveitou para cutucar os órgãos do Judiciário e o Ministério Público, que acusou de atuarem politicamente. Para ele, estes poderes deveriam “voltar para o seu quadrado”.

Na última pesquisa de intenção de voto encomendada pela CNI ao Ibope, divulgada em 28 de junho, Ciro Gomes aparece com apenas 4% das intenções de voto, o que lhe deixa em 4º lugar em um cenário em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece como candidato. Sem Lula, Ciro registra 8% dos votos e fica em 3º lugar. Leia mais sobre a pesquisa aqui.

Ciro ataca Metrópoles e reportagem do portal
O pré-candidato do PDT, ao responder pergunta formulada pela reportagem do Metrópoles sobre as vaias recebidas durante o evento da CNI, atacou o portal e a repórter durante a entrevista coletiva. “Vocês não tem jeito. Então escreva sua opinião. Todas as penas alugadas vão insistir nesta tese. Por que? Eu tenho 38 anos de vida pública e nunca respondi por um mal feito, nem por um escândalo nenhuma vez na vida”, disse.

“Metrópoles é? Isso existe, onde é? Em Brasília, ah logo vi. Quem paga, quem é o dono? Eu sei quem é, o Luiz Estevão, aquele que estava preso. Ainda tá, soltaram então? Não, estou só dizendo, o Metrópoles, não é você, é do cara que estava preso parece que ainda tá né?”, atacou Ciro Gomes.

Em entrevista ao Metrópoles em fevereiro deste ano, o presidenciável irritou-se ao ser lembrado de episódio ocorrido há 16 anos quando falou que o principal papel de sua então mulher, Patrícia Pillar, era o de dormir com ele. O episódio viralizou na internet.

Veja a íntegra da entrevista concedida ao Metrópoles: