Análise: só uma onda de votos permite virada de Haddad sobre Bolsonaro

Datafolha e Ibope mostram subida constante do petista, mas ritmo da transferência de votos tem de ser maior para adversário ser alcançado

atualizado 28/10/2018 11:59

As últimas pesquisas do segundo turno, divulgadas na noite de sábado (27/10), reafirmam o favoritismo do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, na corrida presidencial. Mas os números do Datafolha e do Ibope recomendam cautela nas previsões e indicam indefinição do resultado na reta final da eleição para o Planalto.

Fernando Haddad (PT) ganhou fôlego durante a semana e reduziu quase pela metade a distância para o adversário. Os dois concorrentes à Presidência da República chegam ao dia da votação com uma diferença máxima de 10 pontos percentuais – registrada pelo Datafolha – ou de oito, conforme identificou o Ibope.

Os dois institutos apontam aproximação entre o petista e o candidato do PSL. Pelo Datafolha, Bolsonaro tem 55% das intenções de votos, contra 45% de Haddad. O Ibope apresenta números semelhantes: 54% a 46%. Na comparação com as pesquisas anteriores, as diferenças caíram duas e três casas, respectivamente.

Feitas nos últimos dois dias antes da decisão final, as pesquisas captaram os movimentos mais recentes dos eleitores em função dos fatos criados pelos candidatos ou em torno deles. Em relação a Bolsonaro, pesaram negativamente denúncias de uso abusivo do aplicativo WhatsApp, declarações agressivas feitas em São Paulo contra opositores e, ainda, decisões judiciais que proibiram manifestações nas universidades que identificaram o candidato do PSL com o fascismo.

Essa medida contribuiu para o presidenciável do PT subir o tom do discurso que relaciona o concorrente com práticas autoritárias e antidemocráticas. Nessa direção, artistas e intelectuais tornaram públicas posições contrárias a Bolsonaro.

Apoios
Em favor de Haddad, além dos problemas enfrentados pelo oponente, somaram-se apoios importantes para a ampliação do seu espectro político. No início da semana, a candidata Marina Silva (Rede), derrotada no primeiro turno, anunciou “voto crítico” no petista.

Na quarta-feira (24/10), o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman (PSDB), antigo adversário do PT, surpreendeu o mundo político ao divulgar vídeo com declaração de voto em Haddad. Disse ter sido motivado pelo discurso contra opositores feito por Bolsonaro em São Paulo no último fim de semana.

Mais uma boa notícia, no sábado (27), animou a campanha petista. Ex-presidente do Supremo Tribunal Federa (STF) e ex-relator da Ação Penal 470, que tratou das denúncias do Mensalão, Joaquim Barbosa também divulgou vídeo com declaração de voto em Haddad neste domingo (28).

O presidenciável do PT também amargou dissabores. Até a noite de sábado, ele ainda não havia obtido o apoio de Ciro Gomes, postulante do PDT ao Planalto também derrotado no primeiro turno. O petista tem contra ele, ainda, a alta taxa de rejeição. Segundo o Datafolha, 52% dos eleitores, em nenhuma hipótese, escolherão Haddad. Para Bolsonaro, esse índice é mais baixo, 45%.

Virada radical
A sequência de pesquisas na reta final da eleição mostra o crescimento constante do ex-ministro da Educação e a consequente queda do ex-capitão do Exército. O ritmo lento da variação, no entanto, não é suficiente para dar a vitória ao candidato do PT.

Para superar Bolsonaro, Haddad terá de contar, a seu favor, com uma onda crescente de transferência de votos do adversário para ele. A experiência de eleições estaduais e municipais demonstra que esse feito é possível.

Mas, em disputas presidenciais, nunca aconteceu uma virada tão radical. Se acontecer em 2018, será a primeira vez. Na noite deste domingo (28), as urnas vão dizer aos brasileiros se o candidato petista foi capaz dessa façanha ou se o concorrente do PSL conseguiu segurar a fuga de voto dos últimos dias.

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