Inep: federais têm melhor desempenho em índice; nota da UnB cai

Elas são maioria nas faixas superiores dos indicadores de qualidade do ensino superior, baseados no Enade

Felipe Menezes/Metrópoles

atualizado 12/12/2019 13:56

Indicadores de qualidade da educação superior divulgados nesta quinta-feira (12/12/2019) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apontam que mais da metade das universidades públicas federais teve desempenho acima da média em 2018. Individualmente, os cursos ofertados por elas apresentaram resultado semelhante.

Os dados compõem o Conceito Preliminar de Curso (CPC) e o Índice Geral de Cursos Avaliados da Instituição (IGC), dois dos quatro indicadores feitos com base no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) – junto do Conceito Enade e do Indicador de Diferença entre os Desempenhos (IDD). O primeiro avalia os cursos em si e o segundo, universidades, faculdades, centros universitários e institutos.

A Universidade de Brasília (UnB) recebeu nota final 4 para o triênio 2016-2018. O novo Índice Geral de Cursos Avaliados da Instituição é menor se comparado ao triênio anterior, 2013-2015. A instituição recebeu avaliação 5 na ocasião.

Quem quiser saber a nota de cursos e universidades pode acessar os dados no site do Inep.

Todos os índices são medidos em uma escala de 1 a 5. O CPC avaliou 8.520 cursos, e o IGC, 2.052 instituições de ensino. Para calcular o IGC, aliás, o Inep considera o triênio do CPC, visto que a cada ano diferentes cursos são avaliados. No total, a edição 2018 levou em consideração 23,2 mil cursos e 4,35 mil programas de mestrado e doutorado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

O CPC utiliza quatro fatores para classificar os cursos de graduação: o desempenho dos estudantes no Enade; a avaliação do corpo docente com base no Censo do Ensino Superior; a percepção dos estudantes sobre o processo de formação, aferida por questionário; e o chamado valor agregado, que avalia o quanto o aluno evoluiu, em termos de conhecimento, com base na nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Já o IGC considera, além da média dos CPCs, a nota da Capes para os cursos de pós-graduação na última avaliação trienal disponível e a distribuição dos estudantes entre os diferentes níveis de ensino.

Em coletiva de imprensa, a coordenadora-geral de Controle de Qualidade da Educação Superior do Inep, Fernanda Marsaro, explicou que as notas 1 e 2 não significam necessariamente que o curso tem qualidade ruim, apenas que está abaixo da média dos demais.

Ela também esclareceu que os índices não implicam qualquer tipo de punição a universidades e coordenações de curso: eles servem, na verdade, como auxílio técnico tanto para que as instituições pautem medidas de melhoramento quanto para que a Secretaria de Regulação do Ministério da Educação (MEC) elabore políticas públicas e tome decisões administrativas.

O Enade avaliou, no total, 27 áreas – 14 cursos de bacharel e 13 superiores de tecnologia. Na primeira categoria, são englobados administração, administração pública, ciências contábeis e econômicas, design, direito, jornalismo, psicologia, publicidade e propaganda, relações internacionais, secretariado executivo, serviço social, teologia e turismo.

Os demais incluem os cursos de comércio exterior, design de interiores, moda e gráfico, gastronomia, gestão comercial, da qualidade, de recursos humanos, financeira e pública, logística, de tecnologia em marketing e processos gerenciais.

Apresentação Resultados CPC e IGC 2018 by Bruna Aidar on Scribd

CPC
No total, 8.520 cursos foram avaliados e apenas 1,7% deles, 149, atingiu a faixa 5. A maioria, 4.822 (56,6%), ficou na faixa 3; e 34 (0,4%), na faixa 1. Em termos de regiões, o melhor desempenho foi registrado no Sudeste e no Sul. Nelas, o número de cursos acima de 4 e 5 alcança, respectivamente, 32% e 40%.

Já no recorte por modalidade de ensino, os cursos de Ensino a Distância (EaD) tiveram desempenho semelhante ao da modalidade presencial, embora haja disparidade no número de avaliações. Os EaDs correspondem a 7% do total de cursos analisados.

O maior número de EaDs ficou na faixa 3 (63,2%), na qual também estavam 54,2% dos presenciais. Ao todo, são 32,5% presenciais nas faixas 4 e 5, contra 31,3% à distância. Nenhum EaD ficou na faixa 1.

Também registraram números parecidos os cursos tecnológicos (28% do total) e os de bacharelado(72%). Nos dois casos, a maioria das avaliações é de nível mediano: 56,3% no caso dos primeiros e 57,3% no do segundos.

Os cursos das universidades privadas com fins lucrativos, que representam 51% do total, têm notas 3 e 4 (83,2%). As públicas municipais e estaduais com 73,7% e 90,3% dos seus cursos encontram-se nessas faixas. A exceção são as federais: 55,8% delas obtiveram classificação 4, e 39,6%, 3.

IGC
No caso instituições de ensino, 63,6%, ou 1,3 mil, ficaram na faixa 3, enquanto 2% atingiram a nota 5, porcentagem que equivale a 42 delas. O melhor desempenho foi, de novo, da Região Sul: lá, 92,5% das instituições ficaram na faixa 4. Por outro lado, no Nordeste, ficaram na faixa 2 86,9% delas.

As federais também se destacaram em termos de instituições: ao contrário de todas as demais categorias administrativas, que ficaram, na maior parte, na faixa 3, mais da metade das federais, 56,2%, tiveram classificação 4. Elas superam as demais em número de notas 5, com 12% classificadas nessa faixa. Somadas, as restantes não superam os 4,9% na maior nota.

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