“Vai ser muito pior” se não lidarmos bem com precatórios, diz secretário do Tesouro
Secretário de Guedes afirma que os rumos dos juros do país “são hoje muito dependentes do teto (de gastos)” e que incertezas produzem ruídos
atualizado
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A proposta do governo de parcelar as dívidas da União reconhecidas pela Justiça, os chamados “precatórios”, recebeu uma enxurrada de críticas do Congresso e traz cada vez mais dor de cabeça para a equipe econômica. O secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, afirmou nesta quarta-feira (18/8) que é preciso lidar “bem” com o problema, ou “vai ser muito pior”.
Enquanto instituições importantes, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), consideram a proposta uma forma de “institucionalizar o calote”, o governo prevê que o pagamento das dívidas será um “meteoro” para as contas públicas em 2022, quando o montante chegará a R$ 89,1 bilhões.
Além disso, a equipe econômica também se preocupa em cumprir o teto de gastos, que limita o crescimento das despesas à inflação e é responsável pela sustentabilidade das contas do país. A manutenção da regra foi questionada por parlamentares nesta tarde, durante audiência pública da Comissão Mista de Orçamento.
“A cada ‘meteoro’ teremos nova PEC para resolver teto? Não é o caso de discutir outra regra fiscal mais adequada ao desenvolvimento do país?”, perguntou o deputado Carlos Zarattini (PT-SP).
Em resposta, Funchal defendeu que a credibilidade e o rumo dos juros do país “são hoje muito dependentes do teto”, e que as incertezas produzem ruídos no mercado.
“Só de surgir dúvida, sobe o risco. Isso mostra a importância dessa âncora fiscal”, enfatizou. O secretário também destacou que se não houver entendimento entre o governo e o Congresso em relação aos precatórios, “vai ser muito pior”.
“Precisamos de debate aberto, com prós e contras de cada alternativa. Ninguém é dono da verdade. Precisamos discutir (a proposta)”, declarou.
Para resolver o problema, o governo quer que os precatórios sejam pagos seguindo critérios. Acima de R$ 66 milhões, por exemplo, as dívidas poderão ser pagas em 10 parcelas, sendo 15% à vista e o restante em parcelas anuais.
