Questionado por deputados, Guedes não responde sobre orçamento secreto

O ministro da Economia passou quase quatro horas em audiência na CCJ sem falar sobre caso apelidado de "tratoraço"

atualizado 11/05/2021 19:23

Ministro da Economia, Paulo GuedesIgo Estrela/Metrópoles

O ministro da Economia, Paulo Guedes, ficou quase quatro horas respondendo às perguntas sobre a reforma administrativa, em audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (11/5). Os parlamentares, no entanto, aproveitaram o momento para confrontar o titular da pasta federal sobre suposto esquema montado pelo governo, envolvendo um orçamento secreto de R$ 3 bilhões, revelado pelo jornal O Estado de S.Paulo.

Guedes foi questionado repetidas vezes por deputados da oposição, mas não aprofundou no assunto. Em um único momento, o ministro retrucou dizendo que escândalos envolvendo estatais eram uma especialidade de governos anteriores. “Negócios e escândalos em estatais não são especialidades deste governo, são de outros. Parece que isso não nos atingiu ainda, vamos ver”, afirmou.

Insatisfeitos, alguns parlamentares ainda insistiram no assunto. “Isso é crime de responsabilidade, é prevaricação, desvio de finalidade e improbidade administrativa. Quero saber por que vossa excelência não vetou esse arranjo de corrupção, que é a compra de votos que está sendo feita aí”, perguntou o deputado Ivan Valente (PSol-SP), que não obteve resposta.

“O senhor vem falar que servidor público tem 20 carros, eu desconheço. Mas conheço presidente que come picanha de R$ 1.799 o quilo, conheço presidente que tira férias de R$ 2 milhões e conheço um orçamento que o senhor aprovou de R$ 3 bilhões para comprar parlamentar com trator superfaturado”, disse a deputada Fernanda Melchionna (PSol-RS), também sem retorno do ministro.

Diante dos protestos, a presidente da comissão, a deputada Bia Kicis (PSL-DF), encerrou a audiência sem que alguns parlamentares inscritos conseguissem pontuar seus comentários e questionamentos ao ministro.

Orçamento paralelo

Segundo informações reveladas pelo jornal O Estado de S.Paulo, Bolsonaro criou um orçamento paralelo de R$ 3 bilhões em emendas, “boa parte delas destinada à compra de tratores e equipamentos agrícolas por preços até 259% acima dos valores de referência fixados pelo governo”.

O texto aponta ainda que é possível observar o descontrole de dinheiro público em um conjunto de 101 ofícios enviados por deputados e senadores ao Ministério do Desenvolvimento Regional e aos órgãos vinculados, para que os parlamentares indicassem a que pretendiam destinar os recursos.

Oficialmente, porém, o próprio presidente Bolsonaro vetou a tentativa do Congresso de impor o destino de um novo tipo de emenda (conhecida como RP9), criada durante o seu governo, por “contrariar o interesse público” e ainda estimular o “personalismo”.

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