Produtividade da indústria cai 2,5% no primeiro trimestre, aponta CNI
A queda é influenciada pelas incertezas dos efeitos da pandemia no médio prazo, desarranjo das cadeias produtivas e baixos estoques
atualizado
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As incertezas sobre os efeitos da pandemia da Covid-19 na economia impactaram a produtividade das indústrias de transformação no Brasil, de acordo com a pesquisa Produtividade na Indústria, da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
No primeiro trimestre deste ano, as horas trabalhadas aumentaram 1,9%, mas a produção caiu 0,6%. Desta forma, a produtividade do trabalho na indústria, medida pela relação entre o volume produzido e as horas trabalhadas, teve uma queda de 2,5% na comparação entre janeiro e março deste ano e o trimestre anterior.
De acordo com o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, as alterações na produtividade muitas vezes são associadas a mudanças na qualificação do trabalhador ou inovações tecnológicas.
A queda da produtividade pode ser explicada pela combinação de estoques abaixo do nível planejado, alta dos custos e maior escassez de insumos e matérias-primas. Esses fatores implicam na capacidade de planejamento das empresas e o ritmo de produção.
“Outro fator a ser considerado é o fim de acordos para redução de salário e jornada, além da suspensão do contrato de trabalho, que vigoraram em 2020”, avalia o economista.
Os programas criados pelo governo no ano passado para auxiliar na retomada econômica das empresas retornaram recentemente. Foram destinados R$ 10 bilhões para o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm) e mais R$ 5 bilhões para o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, Pronampe.
De acordo com o ministro da Economia, Paulo Guedes, foram preservados 11 milhões de empregos no ano passado com o BEm, que permitiu a redução de salários e a suspensão de contratos.
