Aumento de juros anunciado pelo Copom desagrada a indústria nacional

Segundo a CNI, a decisão do Banco Central veio num momento equivocado diante da crise econômica causada pela pandemia da Covid-19

atualizado 06/05/2021 13:07

O Banco Central apresentou como será a cédulaFelipe Menezes/Metrópoles

Nesta quinta-feira (6/5), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) se manifestou sobre a definição do Comitê de Política Monetária (Copom) de aumentar a taxa de juros em 0,75 ponto percentual. Segundo a instituição, a decisão do Banco Central veio num momento equivocado diante da crise econômica causada pela pandemia da Covid-19.

Nos primeiros meses do ano, a atividade econômica, que vinha mostrando uma gradativa recuperação, sofreu novo impacto negativo em razão da segunda onda da doença e da necessidade de novas medidas de distanciamento social.

Entre fevereiro e março, por exemplo, a indústria apresentou queda de 3,4%.

“O setor produtivo ainda sofre com os efeitos negativos ocasionados pela pandemia. Nesse momento, as medidas deveriam ser para estimular o crédito para consumidores e para empresas, no entanto, esse segundo aumento da Selic, de forma bastante expressiva, aumenta o custo do financiamento e não contribui para a retomada da economia”, avalia o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

A CNI acredita que o Banco Central mantém o diagnóstico de que, apesar da pressão inflacionária de curto prazo ter se revelado mais forte e persistente do que o esperado, os choques atuais são temporários.

No Relatório Trimestral de Inflação de março, a instituição estima quedas adicionais nas projeções do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), para 2021 e 2022, em um cenário de agravamento da crise sanitária.

Copom

O Comitê de Política Monetário (Copom) decidiu, nesta quarta-feira (5/5), aumentar a taxa Selic (a taxa básica da economia e que regula os juros) em 0,75 ponto percentual, elevando o índice para 3,5% ao ano. É a segunda vez que o índice sofre aumento consecutivo desde 2015.

A medida busca controlar a inflação, que chegou no acumulado dos últimos 12 meses a 6,1%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro.

“Apesar da queda da inflação na margem, o acumulado em 12 meses deve continuar subindo e provavelmente chegará a 7% no meio de 2021”, afirma o economista-chefe da Nécton, André Perfeito.

O resultado já era esperado pelo mercado financeiro desde o último encontro do Copom, em que o Banco Central (BC) antecipou que faria uma nova elevação na mesma proporção.

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