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Nova isenção do IR e testes da tributária estão em vigor. O que muda?

Alívio no IR beneficia trabalhadores de menor renda, enquanto empresas e governos entram em fase de adaptação ao novo sistema tributário

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1 de 1 mão segura celular que acessa app do Imposto de renda - Metrópoles - Foto: Igo Estrela/Metrópoles @igoestrela

A entrada em vigor da nova faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) e o início dos testes operacionais da reforma tributária marcam duas frentes centrais da política econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026.

Embora tratem de tributos diferentes, um relacionado a renda e outro ao consumo, as medidas dialogam entre si ao refletir a tentativa do governo de redesenhar o sistema tributário brasileiro, aliviar a carga sobre os trabalhadores e, ao mesmo tempo, preparar o país para transição tributária.

No caso do Imposto de Renda, a principal mudança é a ampliação efetiva da isenção para trabalhadores de menor renda. Segundo o texto aprovado no Congresso Nacional e sancionado por Lula, trabalhadores que recebam até R$ 5 mil mensais estarão isentos da cobrança do imposto. Já aqueles que recebem até R$7,350 mensais terão alíquota reduzida.

Para que a medida seja fiscalmente neutra, ou seja, não cause queda na arrecadação, serão tributados em até 10% aqueles com renda superior a R$ 50 mil mensais.

O efeito imediato é um alívio no bolso de milhões de contribuintes, principalmente aqueles que recebem salários mais baixos e que acabavam sendo alcançados pela defasagem da tabela do IR.

A medida tem forte apelo político e social, mas carrega um custo fiscal relevante. De acordo com técnicos da área econômica, estima-se que a renúncia de arrecadação pressione o orçamento e reduza o espaço para gastos em outras áreas, o que reforça a necessidade de compensações.

Por isso, a ampliação da isenção do IR não está isolada e se conecta a outras frentes do debate tributário, como a tributação de altas rendas, a revisão de benefícios fiscais e o combate a distorções, como é o caso do Devedor Contumaz.

Confira a tabela do IR para 2026: 

  • Até R$ 5 mil – isenção total;
  • Até R$ 5.500 – desconto de 75%;
  • Até R$ 6 mil – desconto de 50%;
  • Até R$ 6.500 – desconto de 25%;
  • A partir de R$ 7.350 – aplicação da alíquota de 27,5%.

O que são os testes da reforma tributária

A reforma tributária entrou, a partir deste mês, em fase de testes. Apesar disso, as mudanças que entram em vigor agora não significam cobrança imediata de novos tributos, mas funcionam como um período de adaptação técnica e operacional.

A reforma aprovada pelo Congresso substitui um conjunto de impostos, como PIS, Cofins, Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Imposto sobre Serviços (ISS), por um modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, dividido entre um tributo federal e outro compartilhado por estados e municípios.

A promessa do governo é simplificar regras, reduzir litígios e tornar a cobrança mais transparente, com incidência no destino final do consumo.

Nesta fase inicial, empresas, governos estaduais e municipais participam de testes de sistemas, emissão de documentos fiscais, integração de bases de dados e simulações de arrecadação, com o objetivo de identificar falhas, corrigir inconsistências e evitar problemas quando a transição começar oficialmente, de forma gradual, nos próximos anos.


Entenda as mudanças na reforma tributária

Como era:

  • Sistema fragmentado, com vários impostos sobre o consumo cobrados por União, estados e municípios;
  • Regras diferentes entre estados e cidades, o que gerava guerra fiscal e insegurança jurídica;
  • Incidência em várias etapas da cadeia produtiva, aumentando o custo final de produtos e serviços;
  • Alta complexidade para empresas, com grande volume de disputas judiciais;
  • Dificuldade para o contribuinte entender quanto paga de imposto ao todo.

Como vai ficar: 

  • Unificação de tributos sobre o consumo em um modelo de IVA dual, com um imposto federal e outro compartilhado entre estados e municípios;
  • Regras mais padronizadas em todo o país, reduzindo distorções e conflitos federativos;
  • Cobrança no destino final do consumo, diminuindo a disputa fiscal entre estados;
  • Sistema mais simples e transparente, com redução do contencioso tributário ao longo do tempo;
  • Transição gradual, com período de testes e convivência entre o modelo antigo e o novo até a implementação completa.

Impactos para empresas e consumidores

No curto prazo, o impacto mais perceptível para o cidadão está concentrado no Imposto de Renda. Trabalhadores enquadrados na nova faixa de isenção devem perceber aumento no rendimento líquido mensal, enquanto quem ganha acima desse limite não sente mudanças imediatas.

Já para as empresas, mesmo antes da cobrança dos novos tributos, muitas companhias já começaram a revisar processos internos, atualizar sistemas contábeis e investir em capacitação para lidar com o novo modelo tributário.

O custo de adaptação é considerado elevado, especialmente para setores que lidam com cadeias longas de produção e prestação de serviços.

No médio e longo prazo, a expectativa do governo é que a reforma tributária reduza o chamado “custo Brasil”,  aumente a previsibilidade para investimentos e estimule o crescimento econômico. Os ganhos, no entanto, não são imediatos e dependem de uma transição bem executada e de estabilidade nas regras.

  • Custo Brasil é a definição dada para as burocracias tributárias e de infraestrutura que encarecem a produção no país.

Para o governo, o desafio em 2026 será conduzir essas transformações sem perder o controle fiscal, em um cenário de orçamento pressionado e crescente cobrança por responsabilidade nas contas públicas, principalmente em um ano eleitoral.

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