Araújo: acordo com UE insere Brasil nas cadeias de produção globais

Na avaliação do chanceler, o Brasil tem chance de se tornar uma potência econômica

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 02/07/2019 11:36

O Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse, nesta terça-feira (02/07/2019), que o acordo com a União Europeia reposicionará o Brasil no comércio internacional. Para ele, o país estava ausente das “grandes cadeias” de negócio e de ideias.

“O acordo abre uma nova visão de inserção de um Brasil grande, no centro das grandes decisões mundiais e que abre a sua economia para negociações. Enxergamos um país com recursos naturais, a bênção da potência energética e que se dedica a atrair tecnologia de ponta”, destacou.

Ele acredita que o acordo ajudará a melhorar a economia e reposicionar o país no comércio internacional. “Vai transformar o Brasil em uma potência mundial”, frisou.

O acordo só foi possível, segundo Ernesto, depois da “desideologização” dos blocos e da valorização da identidade nacional dos países que participam dos grupos. “Víamos a União Europeia impondo o modelo supranacional e que estávamos comprando um modelo de integração. Somos um bloco intergovernamental, não supranacional”, ponderou.

O ministro ainda destacou que serão fechados mais dois pactos internacionais no segundo semestre. Araújo citou Estados Unidos, Singapura, Coreia, Japão, Arábia Saudita, Israel, Canadá e os países que não fazem parte da União Europeia como exemplos. “Passamos a estar no centro”, concluiu.

“O trabalho (de negociação) se intensificou nos últimos seis meses, por uma mudança de postura do Mercosul e também do Brasil”, disse Araújo.

Nesta terça-feira (02/07/2019), a França disse que não está preparada para ratificar o pacto. Araújo minimizou o efeito do entendimento. “Esse tipo de declaração é mais importante para o público interno (do país). O acordo tem uma série de interesses dos dois lados. Cabe à comissão europeia esclarecer os pontos aos seus países”, resumiu.

O Itamaraty coordena as relações do bloco. Participaram da empreitada os ministérios da Economia e da Agricultura. O processo já se arrastava por 20 anos.

O acordo firmado na última sexta-feira (28/06/2019) zera tarifas para importantes produtos agrícolas exportados pelo Brasil, como suco de laranja, frutas e café solúvel.

As taxas para exportar produtos industriais também serão eliminadas. Haverá ainda cotas para a venda de carnes, açúcar e etanol.

Os países do Mercosul vão zerar o imposto de importação para carros fabricados na União Europeia num prazo de 15 anos.

O acerto também vai reconhecer como itens provenientes do Brasil vários produtos, a exemplo de cachaças, queijos, vinhos e cafés.

O pacto ainda não tem data para entrar em vigor, precisa ter um texto final e ser aprovado pelos congressos dos países envolvidos.

O tratado é o mais ambicioso já feito pelo grupo de países sul-americanos. Até então, só existiam acordos de livre-comércio com países de pouca expressão no comércio internacional, como Israel, Palestina e Egito.

Na Europa , esse é o segundo maior acordo acertado, atrás somente do firmado com os japoneses. O pacto entre os blocos representa 25% do PIB mundial e engloba 750 milhões de pessoas.

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