Hapvida: ANS investiga aumento ou rescisão de até 1 milhão de planos
Agência diz que vai analisar se a ação anunciada pela operadora pode se enquadrar como "seleção de risco". Empresa solicitou audiência

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) afirmou que notificou a Hapvida pedindo explicações sobre o plano da empresa de reajustar em percentuais de dois dígitos ou rescindir 947 mil contratos nos próximos meses. De acordo com a ANS, tais medidas não poderão ser implementadas até que sejam analisadas pela agência.
A investigação da ANS vai apurar, notadamente, se a iniciativa planejada pela Hapvida se enquadra como “seleção de risco”. Essa é uma prática por meio da qual as operadoras tentam filtrar, recusar ou cancelar contratos de beneficiários com base em fatores como a idade e o histórico de saúde, cujos custos tendem a ser maiores.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todasA informação sobre análise da ANS foi divulgada no blog da jornalista Miriam Leitão, no jornal “O Globo”, com declarações do presidente da ANS, Wadih Damous.
Queda no lucro
Já a decisão sobre o aumento dos preços ou encerramento dos contratos foi comentada na semana passada pelo CEO da empresa, Luccas Adib. Ele tratou do tema durante uma teleconferência sobre os resultados financeiros da operadora.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDe acordo com o balanço, a companhia registrou um lucro líquido ajustado de R$ 12,5 milhões no segundo trimestre deste ano. O valor representou uma queda de 95,8% na comparação com o mesmo período de 2025.
Comunicado
Consultada pelo Metrópoles, a Hapvida informou por meio de nota que não foi “devidamente notificada acerca da medida” da ANS. No texto, a operadora afirma que a “solicitou audiência junto ao regulador (no caso, a ANS) uma vez que não foi chamada a prestar esclarecimentos ou apresentar os elementos técnicos, contratuais e regulatórios relacionados ao tema”.
A empresa disse ainda que as medidas anunciadas estão relacionadas a contratos inadimplentes e à renegociação de grandes contratos coletivos empresariais que apresentam desequilíbrio econômico-financeiro. “Neste último caso, as tratativas ocorrem dentro dos períodos regulares de renovação contratual, mediante avaliação individualizada e em observância às normas aplicáveis da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)”, diz a empresa, acrescentando que a “revisão desses contratos não significa, necessariamente, seu cancelamento”.
De acordo com a Hapvida, o processo contempla a negociação com as empresas contratantes e a busca por condições que permitam o reequilíbrio e a continuidade dos contratos.



