Durigan reclama de novas tarifas dos EUA: "Deram um jeito na marra"
Para o ministro da Fazenda, nova tarifa dos EUA é injustificada e uma tentativa do governo Trump de contornar decisão da Suprema Corte

O ministro da Fazenda Dario Durigan criticou a nova sobretaxa às importações brasileiras anunciada pelo governo dos Estados Unidos nesta quinta-feira (23/7) e classificou a medida como “injustificada e unilateral.”
Segundo ele, a decisão representa uma forma de restabelecer, “na marra”, a tarifa de 10% imposta em fevereiro, contestada pela Justiça norte-americana.
“Essa nova tarifa de 10% para alguns países e 12,5% para outros pega 99% das importações para os EUA, o que me faz concluir que [a medida] é um mero expediente para substituir aquela tarifa anterior de 10%, que caiu na Suprema Corte dos EUA. O próprio presidente Trump falou que ‘daria um jeito’ de fazer a tarifa voltar. Deram um jeito, não tem justificativa, mas deram o jeito de, na marra, colocar tarifa”, disse em entrevista à BandNews TV.

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Ver todasDe acordo com o ministro, a justificativa apresentada por Donald Trump para elevar tarifas sobre parceiros comerciais não se aplica ao Brasil, já que o país registra déficit na balança comercial.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Se a própria ideia do governo Trump era proteger os EUA do déficit que ele tinha da China, essa lógica deles não vale para nós”, afirmou.
O ministro também rebateu as críticas de que o governo brasileiro não teria buscado negociar com Washington. Segundo ele, houve diversas tentativas de diálogo antes do anúncio das novas tarifas.
“A gente mesmo se pergunta [o porquê]. Fizemos várias conversas na maior boa-fé, diferente do que se alegou, e mais uma vez a gente é punido”, disse.
As declarações foram dadas após o anúncio de uma nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos, que adicionou até 12,5% à alíquota já aplicada a produtos de diversos parceiros comerciais.
No caso brasileiro, com a medida, as tarifas podem chegar a 37,5%.
O governo brasileiro informou que considera a medida incompatível com a relação comercial entre os dois países e estuda as respostas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, que autoriza o Brasil a retaliar ou aplicar sobretaxas equivalentes contra países que imponham barreiras comerciais unilaterais aos produtos brasileiros.



