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Douglas Ruas e Eduardo Paes vão disputar governo do Rio no 2º turno

Candidato do PL cresceu na reta final, reduziu vantagem de Paes e assumiu liderança. Estado vive crise no comando e está sem titular

04/10/2026 21:04, atualizado 04/10/2026 21:31
Arte/Metrópoles
Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD)

A disputa pelo governo do Rio de Janeiro será decidida no segundo turno entre o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL) e o ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD), segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O resultado pode levar a uma nova etapa a corrida que teve Paes à frente durante boa parte da campanha e Ruas tentando reduzir a distância. O candidato do PL cresceu ao longo do primeiro turno e chegou às últimas semanas mais próximo do adversário.

Neste domingo (4/10), Ruas terminou a votação na frente. Com 99,94% das urnas apuradas, o presidente da Alerj tinha 49,72% dos votos válidos, contra 42,76% de Paes.

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O resultado, porém, ainda convive com uma disputa judicial sobre os votos dados ao ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos). Ele concorreu mesmo depois de ter o registro negado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).

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Na sexta-feira (2/10), o ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que os votos de Garotinho ficassem anulados enquanto o registro não fosse julgado definitivamente. Neste domingo, o presidente do TSE, Nunes Marques, decidiu que esses votos devem ser considerados no cálculo dos percentuais da eleição até que o plenário analise o caso.

A decisão faz diferença porque os votos de Garotinho entram, por enquanto, na soma usada para calcular o percentual dos candidatos. Se eles forem anulados depois, o total de votos válidos diminui e os percentuais de Ruas e Paes precisam ser recalculados.

É justamente aí que está o impasse. Juristas ouvidos pelo Metrópoles divergem sobre o que aconteceria se o TSE invalidasse definitivamente os votos de Garotinho depois de Ruas e Paes já terem sido classificados para o segundo turno.

Uma interpretação é a de que o resultado teria de ser recalculado. Nesse caso, Ruas poderia superar a marca de 50% dos votos válidos e poderia ser declarado eleito ainda no primeiro turno.

Outra corrente entende que a definição do segundo turno não deveria ser desfeita posteriormente. Para esses especialistas, a discussão sobre os votos de Garotinho não alteraria a disputa marcada para 25 de outubro, e Ruas e Paes continuariam na corrida pelo governo do Rio.

Crise no estado

A eleição também ocorre em uma situação incomum no comando do estado. Desde março, o Rio não tem um governador titular e é administrado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), desembargador Ricardo Couto de Castro.

A chegada de um membro do Judiciário ao Palácio Guanabara foi resultado de uma sequência de mudanças que esvaziou a linha sucessória. Primeiro, o então vice-governador Thiago Pampolha deixou o cargo. Depois, Cláudio Castro renunciou ao governo em um momento em que a presidência da Alerj, próxima na ordem de sucessão, também estava vaga.

O impasse ganhou um novo capítulo quando Douglas Ruas assumiu o comando da Alerj, em uma tentativa do PL de recuperar também o controle do Executivo estadual. A mudança, porém, não levou Ruas ao Palácio Guanabara.

Por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Couto permaneceu como governador interino. A Corte chegou a iniciar a discussão sobre quem deveria comandar o estado até a posse do próximo governador, mas não concluiu o julgamento.

O vencedor do segundo turno assumirá, em janeiro de 2027, um estado que atravessou boa parte do ano sem governador titular, sob o impacto de operações da Polícia Federal e de diferentes frentes de auditoria.

Crescimento e troca de ataques

A corrida até o primeiro turno foi marcada por uma troca de ataques que colocou no centro da eleição as relações políticas dos dois candidatos e o avanço do crime organizado no Rio.

Paes explorou principalmente a passagem de Ruas pelo governo de Cláudio Castro (PL) e sua proximidade política com Rodrigo Bacellar, antecessor do candidato na presidência da Alerj. Bacellar foi preso pela Polícia Federal em uma operação que apura o envolvimento de políticos com o Comando Vermelho.

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Presidente Lula e o candidato ao governo do RJ, Eduardo Paes (PSD)
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e a advogada Jane Reis
Ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD)
Eduardo Paes (à direita) renuncia ao comando da Prefeitura do Rio e transmite cargo para Eduardo Cavaliere (à esquerda).
Eduardo Paes faz campanha na Baixada Fluminense
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Eduardo Paes faz campanha na Baixada Fluminense

Divulgação/Campanha Eduardo Paes
Presidente Lula e o candidato ao governo do RJ, Eduardo Paes (PSD)
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Presidente Lula e o candidato ao governo do RJ, Eduardo Paes (PSD)

Ricardo Stuckert
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e a advogada Jane Reis
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O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e a advogada Jane Reis

Reprodução/MDB
Ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD)
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Ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD)

Divulgação/Facebook Eduardo Paes
Eduardo Paes (à direita) renuncia ao comando da Prefeitura do Rio e transmite cargo para Eduardo Cavaliere (à esquerda).
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Eduardo Paes (à direita) renuncia ao comando da Prefeitura do Rio e transmite cargo para Eduardo Cavaliere (à esquerda).

Reprodução/Prefeitura do Rio

Antes de chegar ao comando da Alerj, Ruas ocupou a Secretaria das Cidades durante o governo Castro. Na campanha, porém, buscou se afastar da antiga gestão. Ele afirmou que sua relação com o ex-governador, que foi alvo de operações da PF neste ano, era política e institucional, disse discordar de pontos do governo e chegou a afirmar que Cláudio Castro não participaria de seus palanques.

O candidato do PL, ao mesmo tempo, também reforçou a ligação com o bolsonarismo e buscou associar sua candidatura ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Ruas foi escolhido para disputar o governo após uma articulação liderada por Flávio Bolsonaro, que foi personagem recorrente de sua campanha.


Paes x Ruas: as datas do 2º turno

  • A campanha recomeça já nesta segunda-feira (5/10), com a liberação de atos de rua e anúncios na internet.
  • Em 9 de outubro, a propaganda eleitoral retorna ao rádio e à TV.
  • O horário eleitoral gratuito termina em 23 de outubro, data-limite também para a realização de debates.
  • Em 24 de outubro, véspera do pleito, encerra-se o prazo para carreatas, caminhadas e distribuição de material de campanha.
  • No domingo, 25 de outubro, os eleitores voltam às urnas para decidir quem comandará o país.

Do outro lado, Eduardo Paes também recorreu à disputa nacional. O ex-prefeito recebeu o apoio de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), participou de agendas com o presidente e o apresentou como um aliado.

Douglas Ruas tentou desgastar Eduardo Paes com episódios da trajetória do ex-prefeito e com acusações contra seus aliados. Um dos alvos foi o deputado federal Pedro Paulo (PSD), aliado de longa data de Paes, que foi investigado por agressão à ex-mulher.

A saída antecipada de Paes da Prefeitura do Rio também virou munição. Reeleito em 2024 para permanecer no cargo até o fim de 2028, ele deixou a administração municipal em março deste ano para concorrer ao governo estadual. Durante a eleição municipal, ele havia afirmado que cumpriria o quarto mandato até o fim.

A prefeitura concentra a maior parte da trajetória política de Eduardo Paes. Aos 56 anos, ele comandou a capital entre 2009 e 2016, voltou ao cargo em 2021 e conquistou um quarto mandato em 2024. Antes disso, foi vereador, deputado federal e secretário nas administrações municipal e estadual.

Esta é a terceira vez que Paes tenta chegar ao governo do Rio. Na primeira, em 2006, não avançou ao segundo turno. Doze anos depois, chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Wilson Witzel.

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Douglas Ruas e Flávio Bolsonaro durante evento no RJ
Douglas Ruas é o candidato de Flávio Bolsonaro ao governo do Rio de Janeiro
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Douglas Ruas é o candidato de Flávio Bolsonaro para o governo do Rio de Janeiro
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Douglas Ruas é o candidato de Flávio Bolsonaro para o governo do Rio de Janeiro

Reprodução
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Reprodução/Rede sociais
Douglas Ruas e Flávio Bolsonaro durante evento no RJ
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Douglas Ruas e Flávio Bolsonaro durante evento no RJ

Douglas Ruas é o candidato de Flávio Bolsonaro ao governo do Rio de Janeiro
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Douglas Ruas é o candidato de Flávio Bolsonaro ao governo do Rio de Janeiro

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Douglas Ruas chega ao segundo turno com uma trajetória mais recente na política. Aos 37 anos, o candidato nasceu em São Gonçalo, é filho do prefeito da cidade, Capitão Nelson (PL), formado em Direito e servidor concursado da Polícia Civil. Antes de ser eleito deputado estadual, passou pela administração municipal de São Gonçalo.

Ele conquistou uma cadeira na Alerj em 2022, deixou temporariamente o mandato para comandar a Secretaria das Cidades e chegou neste ano à presidência da Assembleia, após a cassação de Rodrigo Bacellar.