Doações a evangélicas acirram ânimos na CPMI do INSS: “Me respeite”
O presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (Podemos-MG), mandou que o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) o respeitasse
atualizado
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Os ânimos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Insituto Nacional do Seguro Social (INSS) começaram acirrados. No início da sessão desta quinta-feira (26/3), o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) reclamou que requerimentos direcionados à igrejas evangélicas nunca eram colocados em pauta.
Logo, recebeu uma resposta do presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG): “Primeiramente, os requerimentos que são colocados em votação aqui são referentes a esta CPMI. Já ficou muito claro a todos que qualquer assunto ligado ao mercado financeiro e envolvimento do Banco Master com quem quer que seja não é atribuição da nossa parte”.
Em seguida, o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), tomou a palavra e declarou que os petistas “odeiam os evangélicos”.
“É muito típico do PT e da esquerda ficar falando de igreja, igreja, igreja. Eu entendo a preocupação dele, mas estamos em um ano eleitoral. Os evangélicos já têm dificuldade para votar no PT, e um petista (fica) falando o tempo todo em igreja. Ele acha que atingindo uma, atinge as demais”, disse.
O deputado federal Alencar Santana (PT-SP) estava com a palavra e discutiu com Viana. Foi quando o presidente da comissão comentou sobre a doação de igrejas e mandou que o deputado o respeitasse enquanto ele falava.
“Nós fomos impedidos de receber informações [sobre Fabiano Zettel] por decisão do ministro Flávio Dino, do STF. Esta presidência tem sido clara desde o início: todo debate aqui é para uma investigação séria e profunda, não é uma investigação eleitoral de interesse de ninguém. Porque todas as vezes que se levanta uma difamação contra qualquer pessoa que não há provas, estamos prejudicando a investigação e a honra dessa CPMI”, declarou.
O deputado Rogério Correia (PT-MG) tentou interromper o presidente, quando Viana, aos gritos, mandou que ele o respeitasse. “Excelência, o senhor falou, agora o senhor ouça. O senhor fala o que quer, e eu respeito todos. Agora, o senhor me respeite e ouça. O senhor já falou o que tinha de falar”, afirmou.
Doações, Lagoinha e Zettel
O Metrópoles, na coluna de Tácio Lorran, mostrou que o Viana mandou emendas parlamentares a uma fundação da Igreja Batista da Lagoinha, do pastor André Valadão. No total, identificou-se o repasse de R$ 3,6 milhões à entidade.
O pastor da igreja era Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
O presidente da CPMI do INSS admitiu que repassou dinheiro de emendas parlamentares à Lagoinha, de Belo Horizonte (MG), igreja da qual é membro.
“Doei das minhas emendas para uma fundação que, todos os anos, gasta R$ 10 milhões em recuperar pessoas moradoras de rua e dependentes químicos. Vou continuar doando. Existe um Ministério Público neste país que nos investiga. Tudo o que eu faço é em cima do telhado“, declarou durante a sessão do colegiado, nesta quinta.
O senador mineiro esclareceu que emenda de assistência social não é depositada diretamente no caixa dos beneficiários. Segundo ele, é enviada às prefeituras, que aprovam um projeto de trabalho, e também é quem faz as licitações e compras.

