Eleição 2026

Disputa acirrada com Flávio Bolsonaro faz Lula acelerar ritmo de ações

Em reação aos resultados de pesquisas recentes, o governo aposta em pautas populares e ações para mitigar efeitos econômicos negativos

atualizado

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Presidente Lula participa da 14 Conferência Nacional de Assistência Social CNAS – Metrópoles 4
1 de 1 Presidente Lula participa da 14 Conferência Nacional de Assistência Social CNAS – Metrópoles 4 - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Diante da queda na aprovação registrada em pesquisas recentes, somada ao avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem intensificado o anúncios de medidas, sobretudo de cunho social. O governo também busca mitigar os efeitos da crise provocada pela guerra no Irã, especialmente no preço dos combustíveis.

Na última quarta-feira (15/4), Lula reuniu ministros e representantes da construção civil para anunciar um novo pacote para o setor. O principal destaque foi o aporte adicional de R$ 20 bilhões ao programa Minha Casa, Minha Vida, por meio de recursos do Fundo Social.

Com isso, o orçamento total da iniciativa chega a R$ 200 bilhões — valor classificado como o maior da história pelo ministro das Cidades, Vladimir Lima.

O governo também ampliou a meta do programa para 3 milhões de moradias até o fim de 2026 e atualizou as regras de acesso, já aprovadas pelo Conselho Curador do FGTS. A renda máxima para participação foi elevada para R$ 13 mil, enquanto o teto do valor dos imóveis passou para R$ 600 mil, ampliando o alcance da modalidade voltada à classe média.

Outra frente anunciada foi a expansão do programa Reforma Casa Brasil, que oferece crédito para melhorias habitacionais. O limite de renda das famílias atendidas subiu para R$ 13 mil, e o valor máximo dos empréstimos passou de R$ 30 mil para R$ 50 mil.

Aposta no fim da 6×1

Com forte apelo popular, o fim da jornada de trabalho 6×1 — em que se trabalha seis dias com uma folga semanal — também ganhou centralidade na agenda do governo. Pesquisa Datafolha de março indica que 71% dos brasileiros apoiam a mudança.

Para acelerar a tramitação, Lula enviou ao Congresso, na terça-feira (13/4), um projeto de lei em regime de urgência que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, limita o expediente a oito horas diárias e estabelece dois dias de descanso remunerado por semana. O texto mantém salários e pisos das categorias.

A proposta foi apresentada às vésperas da análise de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, após avaliação do Planalto de que o ritmo de tramitação não avançava como esperado. A iniciativa é vista no governo como uma tentativa de viabilizar a aprovação ainda no primeiro semestre e melhorar os índices de popularidade até as eleições de outubro.

Um dia antes, o presidente também assinou ato que limita a jornada de terceirizados da administração pública federal a 40 horas semanais. Na ocasião, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que o governo busca dar exemplo ao adotar a medida.

Foco no eleitorado feminino

O governo também tem intensificado ações voltadas às mulheres. Levantamentos recentes do Datafolha mostram que Lula perdeu apoio nesse segmento, passando de 53% para 47% entre dezembro de 2025 e abril de 2026, enquanto Flávio Bolsonaro avançou de 35% para 43%. Ainda assim, o petista mantém vantagem entre as eleitoras.

Desde o fim do ano passado, o Executivo tem ampliado iniciativas de combate à violência de gênero. Em fevereiro, os Três Poderes firmaram o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio.

Na semana passada, Lula sancionou três projetos voltados ao tema: o que prevê o uso de tornozeleira eletrônica por agressores; a tipificação do chamado vicaricídio (homicídio contra os pais ou filhos) como crime hediondo; e a criação do Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres Indígenas.

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CNT: 32% avaliam positivamente e 37% negativamente o governo Lula
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O que dizem as pesquisas

  • Levantamento Genial/Quaest divulgado na quarta-feira (15/4) aponta que o governo Lula é desaprovado por 52%, enquanto 43% aprovam a gestão.
  • A pesquisa também indica que o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente de Lula, pela primeira vez, em um eventual segundo turno. Os dois estão em empate técnico: 42% para Flávio e 40% para o presidente.
  • O mesmo levantamento mostra percepção majoritariamente negativa sobre a gestão petista
  • : apenas 23% dizem ver notícias positivas sobre o governo, contra 48% que apontam predominância de notícias negativas.
  • Já pesquisa Datafolha de 11 de abril indica rejeição maior a Lula do que a Flávio: 48% dizem rejeitar o presidente, ante 46% que afirmam o mesmo do senador.
  • No governo, há atenção especial ao avanço da desaprovação entre jovens e idosos. Segundo a Atlas/Bloomberg, divulgada em 25 de março, a rejeição entre eleitores de 16 a 24 anos subiu de 58,6% para 72,7%, enquanto entre os com 60 anos ou mais avançou de 39,2% para 50,8%.

Crise dos combustíveis

A alta dos combustíveis é apontada por integrantes do governo como um dos fatores que impactam negativamente a popularidade do presidente. A avaliação é de que a escalada de preços coincide com os efeitos do conflito no Oriente Médio.

Na semana passada, o Executivo lançou o segundo pacote de medidas em menos de um mês para conter os preços, com foco no diesel, nas passagens aéreas e no gás de cozinha para famílias de baixa renda.

Mesmo assim, a incerteza sobre a duração do conflito segue no radar. Na quinta-feira (16/4), o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o governo trabalha com a hipótese de que a guerra no Irã se prolongue por até dois meses e indicou que novas ações devem ser anunciadas em breve. Ele reconheceu que as medidas adotadas até agora tiveram efeito limitado e mencionou a possibilidade de iniciativas específicas para a gasolina, incluindo eventuais subsídios

No mesmo dia, o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, negou uma possível subvenção à gasolina. Ele disse que, neste momento, a ação não está sendo avaliada, “até porque a Petrobras não aumentou a gasolina, ela não teve nenhum reajuste. O que teve reajuste foi no diesel”.

Endividamento e desgaste econômico

O aumento do endividamento das famílias também preocupa o Planalto. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o percentual de famílias endividadas atingiu 80,2% em fevereiro, o maior nível da série histórica.

Para enfrentar o problema, o governo prepara um pacote de medidas que podem incluir a liberação de recursos do FGTS. A expectativa é que as ações sejam anunciadas após o retorno de Lula e do ministro da Fazenda, Dario Durigan, de viagem ao exterior.

Outro ponto de desgaste é a chamada “taxa das blusinhas”, que instituiu a cobrança de imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50. Levantamento da AtlasIntel indica que 62% dos brasileiros consideram a medida um erro, enquanto 30% a avaliam positivamente.

O tema divide o próprio governo. Lula já classificou o tributo como “desnecessário” e sinalizou a possibilidade de revisão, enquanto Alckmin defende a manutenção. O ministro José Guimarães também se posicionou a favor da revogação, afirmando que a medida foi um dos fatores de maior desgaste para a gestão.

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