Diretor da PF atribui avanço do caso Master à “coragem” de Galípolo
Andrei Rodrigues afirmou que integração com o Banco Central permitiu que a Polícia Federal desvendasse fraudes do Banco Master
atualizado
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O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta terça-feira (10/2) que as investigações sobre fraudes financeiras no Banco Master avançaram “graças à coragem” do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Segundo Rodrigues, o caso Master pôde ser “desvendado” com a integração entre a PF e o BC, e a “capacidade” de Galípolo em enviar dados sobre apurações internas da autoridade monetária à corporação.
Em coletiva à imprensa nesta terça, o diretor também afirmou que a PF está investigando o que pode ser o “maior crime que envolva o sistema financeiro nacional e que envolva uma instituição financeira”.
“Essa integração nos permitiu desvendar aquilo que não tenho dúvida que é um crime, talvez o maior crime que envolva o sistema financeiro nacional e que envolva uma instituição financeira”, disse.
“Isso foi possível graças a essa integração, graças à coragem também do presidente Galípolo de enfrentar o problema que já vinha de outras gestões. Ele teve a coragem, a capacidade de levar à frente, levar à PF esses dados, conforme manda a lei”, acrescentou Andrei Rodrigues.
Ao longo das últimas semanas, membros do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saíram em defesa de Gabriel Galípolo e passaram a afirmar que o atual presidente do BC não demorou a agir para investigar problemas no Master.
Em entrevista ao Metrópoles, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que Galípolo tomou conhecimento do caso nas primeiras semanas de gestão e que trabalhou, desde então, para reunir elementos suficientes para uma investida contra a instituição financeira.
Haddad também frisou que havia indicativos de problemas no Master antes mesmo da posse de Gabriel Galípolo, em 2025 — tom semelhante ao adotado por Andrei Rodrigues nesta terça.
Questionado por jornalistas, o diretor-geral da PF afirmou que as investigações apontam que houve “alertas em outros momentos” sobre as circunstâncias do Banco Master. Andrei Rodrigues também disse que a Polícia Federal não descartou “nenhuma hipótese” no caso, como a possível omissão de dirigentes do Banco Central.
Segundo ele, o inquérito principal sobre o Banco Master já está caminhando para um “relatório final”.
O Banco Master está no centro de uma apuração da Polícia Federal sobre um esquema de fraudes financeiras. Investigadores apontam que a instituição de Daniel Vorcaro pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões com a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) irregulares.
Vorcaro chegou a ser preso em uma das ações da PF. No mesmo dia da prisão, o Banco Central decidiu colocar o Banco Master sob administração especial e decretar a liquidação extrajudicial da empresa.
A autoridade monetária argumentou que a medida foi motivada pela grave crise de liquidez e pelo comprometimento da sua situação econômico-financeira da instituição. À época, o BC também afirmou que o Master violou normas que regem a atividade das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional.
Em fala à imprensa, Andrei Rodrigues também mencionou a autonomia do Banco Central como um dos elementos que permitiram o avanço de investigações contra o Master.
“Nós vamos investigar até o final desse caso para que não deixemos nenhum achado, nenhum dado encontrado sem que seja devidamente apurado e esclarecido”, disse o diretor da PF
PF não “persegue” ninguém, diz diretor da PF
O diretor-geral da Polícia Federal defendeu o trabalho da corporação em investigações criminais. Andrei Rodrigues afirmou que a PF tem atuado com “independência” e que não há perseguição política ou social.
“A Polícia Federal não persegue, não protege, atua com independência e autonomia que o governo federal nos concede para que a gente cumpra a nossa missão constitucional e legal, sem olhar matiz político, estatura social e econômica, círculo de relacionamentos. Atua no combate efetivo do crime organizado”, disse.
Rodrigues também declarou que o trabalho da PF é “encontrar provas” e apresentá-las à Justiça. “A PF não tem que achar nada, não tem que deduzir nada, não tem que encontrar convicções. Ela tem que encontrar provas, e as provas têm que ser apresentadas ao sistema de justiça”, afirmou.
