Haddad confirma investigação do BC para apurar falhas no caso Master
Em entrevista ao Metrópoles, ministro da Fazenda disse que procedimento vai apurar falhas no processo que levou à liquidação do Banco Master
atualizado
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou nesta quinta-feira (29/1) que o Banco Central abriu um procedimento interno para apurar supostas falhas na condução do processo que levou à liquidação do Banco Master.
Segundo Haddad, a sindicância avaliará possíveis problemas na condução do caso pelos servidores da autoridade monetária. O ministro deu a declaração em entrevista ao Acorda, Metrópoles. Veja abaixo:
“Quando isso acontece em uma instituição, qualquer que seja, vou fazer a referência que está sendo dada pelo próprio Banco Central”, disse Haddad.
“O BC anunciou a abertura de um procedimento interno para verificar se houve alguma falha de procedimento em relação ao seu próprio corpo de servidores. É assim que uma instituição deve agir”, acrescentou o ministro.
O Banco Master está no centro de uma apuração da Polícia Federal sobre um esquema de fraudes financeiras. Investigadores apontam que a instituição de Daniel Vorcaro pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões com a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) irregulares.
Vorcaro chegou a ser preso em uma das ações da PF. No mesmo dia da prisão, o Banco Central decidiu colocar o Banco Master sob administração especial e decretar a liquidação extrajudicial da empresa.
A autoridade monetária argumentou que a medida foi motivada pela grave crise de liquidez e pelo comprometimento da sua situação econômico-financeira da instituição.
À época, o BC também afirmou que o Master violou normas que regem a atividade das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional.
Haddad saiu em defesa da gestão de Gabriel Galípolo à frente do Banco Central. Para ele, Galípolo não demorou a agir para acionar mecanismos contra o Master.
O ministro afirmou também que o chefe do BC tomou conhecimento dos problemas do banco de Vorcaro nas primeiras semanas de sua gestão. Galípolo assumiu o Banco Central no início de 2025.
“Sei porque acompanhei de perto. Quando ele herdou o problema, eu tomei conhecimento nas primeiras semanas da gestão do Gabriel sobre a gravidade da situação. E o Gabriel tomou todas as providências necessárias, com envolvimento inclusive do Ministério Público e da polícia”, disse Fernando Haddad.
Rumores
Na entrevista ao Metrópoles, o ministro da Fazenda afirmou que existiam rumores sobre problemas no Banco Master desde 2024. Ele disse ter tomado conhecimento das questões, de maneira mais aprofundada, apenas no ano passado.
Segundo ele, as informações eram de que o “negócio parecia insustentável”.
“Tinha muito rumores de que as coisas não estavam andando bem. Tomei conhecimento, assim, o rumor existia desde 2024, mas não tinha indício de crime, de fraude. Parecia um negócio malfeito, um negócio insustentável, que não ia dar certo. Tinha gente que falava”, afirmou.
“Quando começa, no começo de 2025, já mais apropriado de elementos concretos, Galípolo abrindo procedimentos internos para mergulhar na fiscalização, aí as coisas começaram. Aí teve o envolvimento quase ato contínuo do Ministério Público”, acrescentou Haddad.
O ministro da Fazenda disse que tem acompanhado de perto o caso, que, segundo ele, pode ser a maior fraude bancária da história do país. De acordo com ele, a orientação do governo Lula é de que o processo seja a “coisa mais técnica possível, se trata de uma coisa muito séria”.
“O problema ganhou muita visibilidade nos setores, nos órgãos de Estado em 2024. De maneira que, quando o Gabriel Galípolo assume a presidência do Banco Central, ele já tem plena consciência do tamanho do abacaxi que ele herdou do seu antecessor. Ele tem total clareza que ali é a maior fraude bancária, possivelmente, da história do país. Instauraram-se os processos necessários para dar solidez às decisões que o BC precisava tomar”, disse.
