Direitos humanos: Biden cita ataques de Bolsonaro à imprensa em texto

No documento divulgado pelo presidente dos Estados Unidos há, também, uma lista de outras violações aos direitos que ocorrem no Brasil

atualizado 31/03/2021 0:24

BolsonaroReprodução

O informe anual produzido pelo Departamento de Estado norte-americano sobre violações de direitos fundamentais no Brasil cita os ataques realizados pelo presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (sem partido), contra profissionais e veículos de imprensa. Curiosamente, a inclusão de Bolsonaro no documento foi feita pelo próprio presidente dos EUA, Joe Biden.

De acordo com o jornalista Jamil Chade, do UOL, o informe, cuja a edição foi publicada nesta terça-feira (30/3), em Washington, afirma: “A constituição e a lei estabelecem a liberdade de expressão, inclusive para a imprensa, mas o governo [brasileiro] nem sempre respeitou este direito”.

O documento assinado pelo chefe da diplomacia de Biden, Antonny Blinken, ainda diz que jornalistas são por vezes “mortos ou sujeitos a assédio, ataques físicos e ameaças como resultado de suas reportagens”.

“Em maio (de 2020), o jornalista Leonardo Pinheiro foi morto enquanto conduzia uma entrevista em Araruama, no estado do Rio de Janeiro. Até outubro, as autoridades não haviam identificado nenhum suspeito ou motivo”, indicou o documento.

Outro trecho do informe diz: “Como nos anos anteriores, os ataques físicos mais graves foram relatados em relação às reportagens locais, como o caso do apresentador de telejornais Alex Mendes Braga, que em julho foi forçado a sair da estrada em Manaus, estado do Amazonas, atacado fisicamente e ameaçado em aparente retaliação por sua recente cobertura de suspeita de fraude em um hospital local”.

“Vários jornalistas foram submetidos a agressões verbais, inclusive quando pessoas privadas desmascaradas gritaram na cara após o início da Covid-19”, destacou.

“O incidente mais importante ocorreu fora do palácio presidencial em Brasília, levando uma coalizão de organizações da sociedade civil a entrar com uma ação civil contra o governo por falhar em proteger os jornalistas”, lembra o documento.

E ainda continua: “A partir de agosto, vários grandes meios haviam parado de enviar jornalistas para cobrir eventos fora do palácio, e o palácio havia tomado medidas adicionais para manter os jornalistas separados dos civis reunidos no exterior”, disse.

“Segundo Repórteres sem Fronteiras, o presidente Jair Bolsonaro criticou a imprensa 53 vezes, verbalmente ou através da mídia social, durante o primeiro semestre do ano”, destacou o informe oficial do governo Biden.

“Vários veículos de notícias relataram que no dia 23 de agosto, o Presidente Bolsonaro atacou verbalmente um repórter de O Globo, que o questionou sobre os depósitos feitos pelo ex-assistente Fabricio Queiroz a sua esposa, Michelle Bolsonaro”, aponta ainda a equipe de Biden.

O informe também envolve uma avaliação de todos os governos do mundo e nele também há, uma lista de outras violações aos direitos que ocorrem no Brasil, como assassinatos pela polícia, atos de corrupção, violência contra as mulheres, antisemitismo e crimes contra minorias.

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