Órgão do MPF repudia uso de palavrões por Bolsonaro em ataques à imprensa

O presidente mandou os jornalistas enfiarem "as latas de leite condensado no rabo" ao discursar sobre os gastos com compras do Executivo

atualizado 29/01/2021 19:02

BJair Bolsonaro Presidente - Plano de vacinacao contra covid no brasil _ cerimonia no planaltoRafaela Felicciano/Metrópoles

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão vinculado ao Ministério Público Federal (MPF), divulgou nota nesta sexta-feira (29/1) para repudiar os ataques verbais direcionados à imprensa pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). Ele usou palavrões ao justificar as despesas do Executivo federal com compras de alimentos no ano passado.

Na última quarta-feira (27/1), ao falar sobre os gastos do governo, com dados divulgados pelo Metrópoles e replicados por outros veículos, Bolsonaro mandou a imprensa “enfiar no rabo as latas de leite condensado”. O insumo foi o mais comentado entre as compras. Isso porque o governo desembolsou R$ 15 milhões apenas com o doce.

A nota é assinada pelo procurador federal dos Direitos do Cidadão, Carlos Alberto Vilhena, e pelos procuradores da República Mariane Oliveira e Enrico Rodrigues de Freitas, que compõem o Grupo de Trabalho Liberdades: Consciência, Crença e Expressão, da PFDC.

Em menos de 60 dias, esta é a segunda vez que a PFDC se posiciona contra atos do presidente da República em represália à imprensa. Segundo o órgão, as atitudes “seriam passíveis de configurar censura indireta”. A entidade ainda cita a Constituição Federal, que “garante liberdade de expressão”.

Na nota, que traz as palavras de baixo calão utilizadas pelo presidente, os procuradores afirmam ainda causar “constrangimento e preocupação o fato de que referidas expressões foram alvo de apoio e celebração por outras autoridades públicas presentes ao evento”.

Durante o discurso de Bolsonaro, em uma churrascaria em Brasília, estava ao lado dele o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que riu da situação.

Veja a íntegra da nota:

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