Defesa de João de Deus recorrerá ao STJ para tentar prisão domiciliar
Defesa do médium, denunciado por centenas de mulheres por abuso sexual, tenta reverter negativa da Justiça de Goiás

A defesa do médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, de 76 anos, preso há quatro dias, recorrerá nesta quarta-feira (19/12) no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a prisão preventiva em domiciliar com tornozeleira. O recurso ocorre após a Justiça de Goiás negar o habeas corpus impetrado pelos advogados.
“Apenas a liminar foi apreciada e negada. O julgamento final do habeas [corpus] deverá se dar após o recesso. Discordamos da decisão e vamos recorrer ao STJ”, afirmou o advogado Alberto Toron, em nota à imprensa.
Segundo a defesa de João de Deus, é preciso levar em conta a idade avançada e o estado de saúde do médium. Também deve ser considerado, de acordo com o advogado, o fato de o médium ter se apresentado espontaneamente à polícia e prestado esclarecimentos.

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Ver todasPelo terceiro dia consecutivo, João de Deus passou a noite em uma cela de 16 metros quadrados com pia e vaso sanitário, no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.
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O pedido de prisão preventiva foi decretado com base em 15 denúncias já formalizadas em Goiânia, todas por crimes sexuais. Desde a semana passada, a força-tarefa do Ministério Público de Goiás recebeu 506 relatos de crimes sexuais atribuídos ao médium.
Para o promotor Luciano Miranda, que integra a força-tarefa responsável por investigar as acusações, o médium é suspeito da prática de pelo menos três crimes: estupro de vulnerável, estupro e violação sexual.
Na última terça-feira (18), policiais federais, que fazem parte da operação, cumpriram mandados de busca e apreensão na Casa Dom Inácio Loyola, onde João de Deus fazia os atendimentos espiritualistas. Eles revistaram as partes internas, administrativa e os locais de oração.
Os policiais deixaram o local com documentos. Eles também foram a uma residência, apontada como propriedade do médium, onde recolheram armas e dinheiro, segundo informações preliminares.
A TV Anhaguera, de Goiânia, teve acesso ao pedido da Justiça de prisão preventiva com base nas investigações policiais. O texto menciona que o médium “se aproveitava” de “mulheres fragilizadas” e que em alguns casos houve “penetração”.
Também cita João de Deus com um “comportamento padronizado” nas agressões sexuais e que ele criava uma “atmosfera intimidatória” para abusar das vítimas.



