CPI do Crime Organizado chega ao fim sem ouvir mais de 90 pessoas
Comissão foi instalada em novembro de 2025 com a missão de investigar a atuação de facções criminosas, milícias e lavagem de dinheiro

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado chega ao fim nesta terça-feira (14/4) sem conseguir ouvir mais de 90 pessoas que haviam sido convidadas ou convocadas.
Foram realizadas apenas 18 oitivas desde a instalação, em novembro de 2025, com a missão de investigar a atuação de facções criminosas, milícias e esquemas de lavagem de dinheiro no país.
A CPI foi instalada para investigar a expansão do crime organizado (facções e milícias) no país. A ideia era entender como grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) operam e se aumentam sua influência Brasil afora e até no exterior.
Nesta última sessão, antes de o relator, Alessandro Vieira (MDB-SE), ler o parecer final, seria colhido o depoimento do ex-governador do Rio de Janeiro (RJ) Cláudio Castro (PL). No entanto, na segunda (13/4), o carioca informou que não comparecerá em função de questões médicas. Ele disse estar com lombalgia aguda.
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Na reta final, depois de não ter conseguido a prorrogação por mais 60 dias, a comissão passou a concentrar os trabalhos em coleta de dados com foco no caso do Banco Master.
No âmbito das apurações envolvendo o Master, a comissão aprovou pedidos de quebra de sigilos bancário e fiscal de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, fundador da instituição financeira que está no centro das controvérsias.
Como mostrou o Metrópoles, o relator afirmou, em março, que o parecer final deverá incluir menções ao banco. Segundo Vieira, o documento deve apontar a atuação da instituição de Vorcaro como um “duto de lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos”.
O Banco Master está no centro da apuração da Polícia Federal (PF) sobre fraudes financeiras. Investigadores apontam que a instituição de Daniel Vorcaro pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões com a emissão de CDBs irregulares.
Reta final
- Baixa efetividade nas oitivas: CPI encerra trabalhos sem ouvir mais de 90 convocados; apenas 18 depoimentos foram realizados desde novembro de 2025;
- Foco no Banco Master: na fase final, comissão concentrou esforços no caso, incluindo quebras de sigilo de pessoas ligadas à instituição;
- Suspeitas de irregularidades bilionárias: relatório deve apontar o Master como possível canal de lavagem; investigação da PF cita movimentações de cerca de R$ 12 bilhões;
- Interferência do STF nas investigações: decisões da Corte limitaram medidas da CPI, incluindo a anulação de quebra de sigilo do fundo Arleen, gerando críticas de parlamentares.
Interferências
Embora a comissão tenha avançado em aprovação de requerimentos de quebras de sigilo de autoridades e pessoas envolvidas em algum tipo de escândalo, houve uma interferência do Supremo Tribunal Federal (STF) nesses pedidos.
Decisões da Corte limitaram medidas como quebras de sigilo e acesso a dados sigilosos, além de flexibilizar a obrigatoriedade de comparecimento de convocados. Parlamentares da CPI criticaram as intervenções, alegando prejuízo ao avanço das investigações.
Em 18 de março, a comissão aprovou um requerimento apresentado pelo senador Sergio Moro (PL-PR) para a quebra de sigilo do fundo Arleen, que adquiriu participação no empreendimento Tayayá, do qual o ministro Dias Toffoli já foi sócio. A solicitação abrangia dados do período entre 9 de fevereiro de 2021 e 29 de janeiro de 2026.
A medida, no entanto, foi posteriormente anulada pelo STF.









