Covid: esquemas de fura-filas da vacina são investigados no Entorno

Polícia Civil cumpriu busca e apreensão em casas de duas suspeitas em Luziânia. Ministério Público investiga profissionais em Formosa

atualizado 09/04/2021 12:54

Divulgação: PCGO

Goiânia – Suspeitas de favorecer fura-filas na vacinação contra a Covid-19, uma enfermeira e uma técnica de enfermagem tiveram suas casas no alvo de operação da Polícia Civil de Goiás (PCGO), na manhã desta sexta-feira (9/4), em Luziânia, no Entorno do Distrito Federal (DF). O Ministério Público estadual também investiga esquema que vacinou ao menos 10 pessoas fora da ordem prioritária de imunização, em Formosa.

Em Luziânia, o Grupo Especial de Repressão a Crimes Patrimoniais (Gepatri) da PCGO informa que uma das investigadas admitiu todo o esquema, durante interrogatório na delegacia. Os nomes das duas suspeitas não foram divulgados pela polícia. Eles trabalham em um posto de saúde da cidade.

Segundo o delegado Carlos Alfama, as suspeitas se aproveitavam da profissão e da facilidade de acesso às doses da vacina contra a Covid, para favorecer pessoas escolhidas por elas, na fila da campanha de vacinação, sem que preenchessem os requisitos para serem vacinadas naquele momento.

As equipes apreenderam, durante a operação, objetos que serão úteis para confirmação completa do modo como funcionava o esquema criminoso e podem, inclusive, levar ao esclarecimento de outras pessoas envolvidas no delito. Os tipos de objetos não foram divulgados.

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Prejuízo

A gravidade da conduta apurada, conforme a investigação, é evidenciada pelo prejuízo que o esquema causa a pessoas incluídas em grupos de maior risco e que deveriam ser vacinadas contra a Covid antes. Certamente, de acordo com a polícia, evitaria centenas de mortes geradas pela pandemia.

Caso sejam condenadas pela Justiça, as investigadas poderão receber pena de mais de 13 anos de prisão, pelos crimes de peculato-desvio e de infração de medida sanitária preventiva majorada.

As pessoas vacinadas irregularmente podem responder pelo crime de associação criminosa, caso seja comprovado que sabiam que estavam sendo favorecidos indevidamente ao serem vacinadas mesmo sem preencher os requisitos da campanha de vacinação.

Investigação em Formosa

No caso de Formosa, a investigação está sob a responsabilidade do Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), que instaurou procedimento administrativo para acompanhamento da vacinação contra a Covid-19 naquela cidade.

Está sendo apurada a possibilidade de que pelo menos dez pessoas fora da ordem prioritária de vacinação, especialmente profissionais de saúde que não estão na linha de frente de combate à doença, tenham sido imunizados logo no início da campanha de vacinação.

A promotora de Justiça Andrea Beatriz Rodrigues de Barcelos requisitou documentos à Coordenação de Vigilância Epidemiológica, responsável, na fase inicial da vacinação, pela entrega das listas de pessoas a serem imunizadas às equipes que realizaram a aplicação dos imunizantes.

De acordo com a promotora, ao final das apurações do MP-GO, caso seja constatada a violação aos princípios da administração pública, serão tomadas as providências para a responsabilização por atos de improbidade administrativa, dos agentes públicos e das pessoas indevidamente beneficiadas.

A Secretaria Municipal de Saúde de Formosa informou ter instaurado comissão para apuração das suspeitas, para as providências necessárias em âmbito administrativo.

Recomendação

Em fevereiro, a promotora expediu recomendação para que a Prefeitura de Formosa publicasse a lista de pessoas vacinadas em sua página na internet, possibilitando o devido controle social. A recomendação foi acatada.

O MP recomendou que fossem divulgadas as informações relativas ao nome e grupo prioritário a que pertencem as pessoas já vacinadas, local e data da vacinação, número de lote da vacina aplicada e nome do responsável pela aplicação. A atualização precisa ser diária, a fim de possibilitar o acompanhamento, em tempo real, pela população e pelos órgãos de controle.

O Metrópoles não localizou os responsáveis pela defesa das investigadas em suposto esquema de fura-filas em Luziânia e dos profissionais de saúde suspeitos de se beneficiarem de desvio de vacinas em Formosa.

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