Conheça o Projeto S que vai vacinar uma cidade inteira contra a Covid

Serrana (SP) é objeto de estudo em pesquisa inédita que vai avaliar a efetividade da Coronavac e seus impactos no cotidiano

atualizado 17/06/2021 16:50

(1) Serrana (SP), 17 de fevereiro de 2021 - Vacinação em Serrana dentro do Projeto S começou nesta quarta-feiraDivulgação / Instituto Butantan

São Paulo – Sob os aplausos do governador João Doria (PSDB) e de Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, três mulheres e dois homens receberam a primeira dose de Coronavac nesta quarta-feira (17/2), às 9h15, em Serrana — a 279 km de São Paulo, capital, na região de Ribeirão Preto.

Eles são os primeiros cinco voluntários de 30 mil que serão vacinados contra Covid-19 em toda a cidade nas próximas semanas. Eles fazem parte do Projeto S, a quarta fase de testes no Brasil da vacina Coronavac.

Na fase quatro, os pesquisadores do Instituto Butantan buscarão saber a efetividade da vacina (ou eficiência, termo que Dimas Covas usa mais com frequência).

Todos já sabemos a taxa de eficácia da Coronavac, medida na fase três de testes. Nos testes no país, a eficácia global foi de 50,38%. Esse dado demonstra o quanto uma vacina protege pessoas em circunstâncias controladas. Já a efetividade se refere a como a vacina funciona no mundo real, aplicada em uma comunidade inteira. A pesquisa clínica vai permitir estudar o impacto da vacina na população adulta sob o ponto de vista de contenção da pandemia e transmissibilidade do vírus.

“O estudo também vai analisar outros impactos, como a saturação do sistema de saúde, o número de óbitos e o tempo até alcançarmos a imunidade de rebanho”, declarou Dimas Covas em Serrana.

Oficialmente, o projeto foi divulgado no dia 8 de fevereiro. Na ocasião, Dimas Covas disse que o “S” de Projeto S era de secreto. Mas em Serrana, o projeto não era segredo para ninguém.

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Em dezembro, Serrana já sabia do segredo

No dia 2 de dezembro, Serrana foi uma das escolhidas para fazer parte de novos testes da Coronavac. O imunizante desenvolvido pela farmacêutica chinesa Sinovac e produzido no Brasil pelo Instituto Butantan.

Desde meados de 2020, o Butantan já tinha em vista estudar os efeitos da Coronavac em cerca de dez municípios brasileiros e colaboradores do Instituto Butantan em Serrana e em Ribeirão Preto sabiam que a cidade era forte candidata à fase 4 dos estudos com a Coronavac.

“Eu achava que o S era de Serrana e não de segredo”, disse um funcionário do hospital à reportagem.

Em setembro e outubro, o Instituto Butantan em conjunto com Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) organizaram um recenseamento da população para levantar seu perfil. Agora o censo também servirá para evitar imunizar pessoas de fora da cidade.

Serrana apresentou vantagens evidentes. Sua população pequena deixa um estudo de massa mais barato. A cidade também conta com um hospital de bom porte, referência no tratamento de Covid-19 na região, o Hospital Estadual de Serrana, que é ligado à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo.

Além disso, Dimas Covas, o diretor do Instituto Butantan, percebeu uma característica ótima para o estudos. Serrana é uma “cidade pêndulo”. Isto é, boa parte da população trabalha ou estuda em Ribeirão Preto.

A migração pendular ajuda nos estudos porque a população da cidade não receberia a vacina e permaneceria em casa. Ela estaria se expondo ao vírus diariamente. De acordo com Dimas Covas, um estudo deste tipo é inédito.

“O que vamos obter aqui em Serrana servirá ao mundo inteiro. Serrana vai dar a resposta se a vacinação de fato vai ter um efeito imediato e duradouro sobre a pandemia, nas próximas semanas, nos próximos meses o trabalho aqui é de fundamental importância para humanidade.”

Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan

A notícia de que a cidade seria objeto de estudo animou os moradores que aderiram ao projeto. No primeiro dia de cadastro de voluntários, 76% do público alvo preencheu o cadastro de participação.

Acompanhamento por WhatsApp

A cidade foi dividida em quatro setores. Em cada um, haverá dois postos de vacinação numa escola pública, que funcionará das 14h às 20h30. O processo não é rápido como na vacinação comum.

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Os serranenses precisam fazer uma triagem médica, coletar sangue e assinar um termo de consentimento.

Além disso, os moradores terão a companhia de Tainá. Uma assistente virtual que tirará dúvidas dos moradores pelo WhatsApp. Para conversar com a Tainá, o morador de Serrana devera mandar um “oi” para o número +55 11 4950-8330.

Datas de resultados

De acordo com Dimas Covas, os primeiros resultados poderão estar disponíveis já no mês de maio de 2021 e, de acordo com a plataforma Clinical Trials, o estudo tem encerramento previsto para fevereiro de 2022.

 

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