Com saída de Valeixo, cúpula da PF deve entregar o cargo

O grupo é formado por oito diretores. Internamente, o ato é considerado de praxe sempre que há substituição no cargo máximo da PF

atualizado 24/04/2020 12:18

Ex-diretor-geral da PF Maurício ValeixoReprodução

Com a exoneração de Maurício Valeixo (foto em destaque) do comando da Polícia Federal, publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta sexta-feira (24/04), os integrantes da cúpula da corporação devem entregar os cargos. O grupo é formado por oito diretores. Internamente, o ato é considerado de praxe sempre que há substituição no cargo máximo da PF. O único que permanecerá é o corregedor, pois tem mandato.

Atualmente, os delegados que ocupam altos cargos na corporação atuaram com Valeixo na Operação Lava Jato e lidam com apurações delicadas, que podem chegar ao Planalto, como é o caso da operação que investiga as “Fake News”. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Um dos delegados que vai sair é Érika Mialik Marena. Ela assumiu o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), da PF, na mesma época que o Valeixo virou diretor-geral.

Com a saída de Moro, o nome mais cotado para a direção-geral, e que tem bom trânsito no Planalto, é o delegado da PF Alexandre Ramagem. Atualmente, ele é diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Conselheiros de Bolsonaro na área militar veem com bons olhos o nome de Ramagem, apesar de ressaltarem o conflito que isso causaria com Moro, por ser uma imposição do presidente. Ele chefiou a segurança de Bolsonaro no período de campanha.

Sem apego, sem vaidade 

Em uma reunião realizada por meio de videoconferência, nessa quinta-feira (23/04), o então diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo afirmou aos superintendentes regionais da corporação que não tinha “apego ao cargo” e não iria defendê-lo “com unhas e dentes”. Ressaltou, ainda, que não tinha “essa vaidade”.

A saída de Valeixo, homem de confiança de Moro, vinha sendo cogitada desde o ano passado, quando Bolsonaro quis interferir na gestão da superintendência da PF no Rio de Janeiro. Valeixo ameaçou deixar o comando da PF à época defendendo a autonomia da corporação. Desde então, o delegado vem ensaiando a sua saída, mas sempre aguardando o aval do ministro da Justiça.

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