Com perfil discreto, Fachin toma posse como presidente do STF nesta 2ª

Ministro Edson Fachin terá Alexandre de Moraes como vice e também comandará o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Posse será no STF

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Lula Marques/AGPT
Os ministros do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin e Alexandre de Moraes no plenário do tribunal, em pé. Eles usam toga e conversam - Metrópoles
1 de 1 Os ministros do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin e Alexandre de Moraes no plenário do tribunal, em pé. Eles usam toga e conversam - Metrópoles - Foto: Lula Marques/AGPT

O ministro Edson Fachin assume, nesta segunda-feira (29/9), a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF). A posse está marcada para as 16h e o magistrado terá como vice-presidente o ministro Alexandre de Moraes. Ambos estarão à frente da Corte no biênio 2025-2027.

Fachin foi eleito junto com Moraes em 13 de agosto. Os dois já atuaram lado a lado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas mesmas funções de presidente e vice. Edson Fachin sucede Luís Roberto Barroso, que deixa a presidência do Supremo após dois anos de mandato.

Integrante do STF desde junho de 2015, Fachin também assumirá a presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ele foi indicado à Suprema Corte pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Conhecido pelo perfil discreto, cordial e sereno em 10 anos na Corte, Fachin é visto como um magistrado de personalidade mais técnica, além de ser avesso a aparições públicas. São pontos que o diferem de Barroso, que instituiu uma comunicação direta e optou pela linguagem simples no Judiciário, a fim de atingir com a informação o maior número de pessoas.

No comando do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por seis meses, em 2022, Fachin buscou fortalecer os ciclos de transparência da urna eletrônica e da segurança da votação, em uma época de grande investida no Congresso e do então presidente da República, Jair Bolsonaro, pelo voto impresso.

No TSE, abraçou a missão de combater a desinformação e os ataques institucionais contra a Corte Eleitoral. Na ocasião, prometeu lutar contra o “populismo autoritário” e a desinformação digital.

Histórico

Nascido em 8 de fevereiro de 1958 em Rondinha (RS), Fachin graduou-se em direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde também é professor titular de direito civil.

É mestre e doutor em direito das Relações Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com pós-doutorado no Canadá. Foi professor visitante da Dickson Poon Law School, do King’s College, em Londres.

Antes de ingressar no Supremo, atuou como advogado, com ênfase em direito civil, agrário e imobiliário, e foi procurador do Estado do Paraná. Nomeado para o STF em 2015 pela presidente Dilma Rousseff, tomou posse em 16 de junho daquele ano, na vaga do ministro aposentado Joaquim Barbosa. Entre fevereiro e agosto de 2022, presidiu o TSE.

Lava Jato e Lula

Entre os diversos casos de destaque sob relatoria de Fachin, o mais polêmico envolve a Operação Lava Jato, cuja condução ele assumiu em fevereiro de 2017, após o falecimento do ministro Teori Zavascki.

Fachin anulou todos os processos em torno do então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no âmbito da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. A medida tornou o petista elegível, segundo a Lei da Ficha Limpa e permitiu a Lula ser candidato do PT nas eleições de 2022, derrotar Jair Bolsonaro (PL) e retornar ao Palácio do Planalto.

À época, Fachin informou que a 13ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Curitiba não era o juízo competente para processar e julgar casos envolvendo o petista.

ADPF das Favelas

Fachin é o relator da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, processo estrutural que visa reduzir a letalidade policial no Estado do Rio de Janeiro. Relatou ainda o HC 154248, em que se reconheceu o crime de injúria racial como uma forma de racismo e, portanto, imprescritível, e o MI 4733, que enquadrou a homotransfobia como crime de racismo, em julgamento conjunto com a ADO 26, relatada pelo ministro Celso de Mello (aposentado).

Também esteve sob sua relatoria a decisão do Plenário que proibiu revistas íntimas vexatórias em visitantes nos presídios (ARE 959620).

Na garantia de direitos sociais, Fachin foi relator da ADI 5357, que validou a obrigatoriedade de escolas particulares admitirem pessoas com deficiência, com adaptações sem custos adicionais nas mensalidades, da ADI 6327, que definiu como marco inicial da licença-maternidade e do salário-maternidade a alta hospitalar da mãe ou do recém-nascido, e proferiu o voto vencedor no julgamento da ADO 20, que reconheceu a omissão legislativa na regulamentação do direito à licença-paternidade.

Quanto ao direito dos povos indígenas, o ministro foi o relator do RE 1017365, em que o Plenário afastou a tese do marco temporal (data da promulgação da Constituição) para a definição da ocupação tradicional da terra por comunidades indígenas, e da ADPF 991, em que se determinou a adoção de medidas de proteção a povos indígenas isolados e de recente contato.

Já Alexandre de Moraes, nascido em São Paulo (SP), é doutor em Direito do Estado, livre-docente em Direito Constitucional e autor de diversas obras na área jurídica. Antes de chegar ao STF, em março de 2017, atuou como promotor de Justiça, advogado, professor, consultor jurídico e ministro da Justiça. Foi indicado pelo ex-presidente Michel Temer (MDB).

Com perfil discreto, Fachin toma posse como presidente do STF nesta 2ª - destaque galeria
6 imagens
O ministro do STF Alexandre de Moraes
Com perfil discreto, Fachin toma posse como presidente do STF nesta 2ª - imagem 3
Com perfil discreto, Fachin toma posse como presidente do STF nesta 2ª - imagem 4
O presidente Lula com os ministros do STF Alexandre de Moraes, Edson Fachin e com o advogado-geral da União, Jorge Messias
O presidente Lula com os ministros do STF Alexandre de Moraes, Edson Fachin e com o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski
Em eleição simbólica, o STF elege para presidente e vice-presidente da Corte os ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes
1 de 6

Em eleição simbólica, o STF elege para presidente e vice-presidente da Corte os ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
O ministro do STF Alexandre de Moraes
2 de 6

O ministro do STF Alexandre de Moraes

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Com perfil discreto, Fachin toma posse como presidente do STF nesta 2ª - imagem 3
3 de 6

Igo Estrela/Metrópoles
Com perfil discreto, Fachin toma posse como presidente do STF nesta 2ª - imagem 4
4 de 6

Daniel Ferreira/Metrópoles
O presidente Lula com os ministros do STF Alexandre de Moraes, Edson Fachin e com o advogado-geral da União, Jorge Messias
5 de 6

O presidente Lula com os ministros do STF Alexandre de Moraes, Edson Fachin e com o advogado-geral da União, Jorge Messias

Ricardo Stuckert/PR
O presidente Lula com os ministros do STF Alexandre de Moraes, Edson Fachin e com o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski
6 de 6

O presidente Lula com os ministros do STF Alexandre de Moraes, Edson Fachin e com o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski

Barroso faz balanço

O ex-presidente Barroso, em café da manhã com a imprensa, analisou os dois anos dele à frente do STF e citou que a sua principal frustração na gestão foi não ter conseguido a efetiva pacificação do país, principalmente diante dos atos de 8 de Janeiro e das investigações da tentativa de golpe.

“Eu tinha muita vontade de fazer isso e achava que seria possível, mas os julgamentos do 8 de janeiro — o volume, que foi grande, que demorou — e o julgamento do golpe dificultaram muito criar esse ambiente de pacificação total, porque quem teme ser preso está querendo briga e não pacificação. Então eu diria que a minha única frustração foi não ter conseguido fazer a pacificação”, disse Barroso aos jornalistas.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?