Cláudio Castro diz que apoio à Copa América é “questão de coerência”

Em entrevista ao Metrópoles, o governador do Rio de Janeiro argumentou que o estado tem sido palco de outras competições esportivas

atualizado 13/06/2021 8:44

Claudio CastroAline Massuca/Metrópoles

Empossado como governador do Rio de Janeiro em maio deste ano, Cláudio Castro (PL) defendeu, em entrevista ao Metrópoles, a realização da Copa América no Brasil. O estado será palco de oito partidas, entre as quais a final do campeonato, marcada para o dia 10 de julho, no Maracanã. De acordo com Castro, o apoio ao torneio é uma “questão de coerência”.

“As fronteiras do Brasil e do Rio de Janeiro estão abertas. Não há impedimento de ninguém entrar aqui. E os campeonatos de futebol estão liberados, desde que sigam os protocolos. No Rio, tivemos seis jogos da Libertadores, com delegações de fora. Tivemos campeonato brasileiro, Copa do Brasil e campeonato estadual. Não tá proibido futebol aqui. Não há nenhuma liberação extra [para a realização da Copa América]”, disse (confira a partir de 11′).

Advogado e cantor religioso, Castro assumiu o governo do Rio de Janeiro após Wilson Witzel (PSC) ser afastado por denúncias de corrupção que desencadearam um processo de impeachment. Em agosto de 2020, o vice-governador ficou responsável, interinamente, pelo comando do estado. Com a oficialização do impeachment do ex-juiz, Castro tomou posse como governador do Rio de Janeiro.

Apesar de ter chegado ao poder ao lado de Witzel, Castro disse ter sido surpreendido pelos crimes atribuídos ao ex-juiz e fez questão de pontuar diferenças entre ele e o ex-governador. Um dos pontos de divergência, de acordo com o advogado, diz respeito à segurança pública. O atual chefe do Executivo estadual afirmou que o governo do Rio de Janeiro não defende mais a política alardeada por Witzel, de “mirar na cabecinha”.

0

“O governo, hoje, defende uma polícia com inteligência, com investigação, com qualificação, com operações bem montadas”, detalhou (1’40”). Castro ressaltou que está investindo na contratação de agentes de segurança e na compra de equipamentos que auxiliem nas ações promovidas pela corporação, para que a “polícia vá no alvo certo”. Dessa forma, a nova gestão espera “diminuir a possibilidade de inocentes e de policiais serem atingidos”.

Castro, no entanto, defendeu a operação no Jacarezinho, no início de maio. Considerada uma das ações policiais mais letais da história do país, a abordagem provocou a morte de 28 pessoas. Para o governador, “não há elementos para dizer que a polícia tenha cometido excessos”. “A gente não pode esquecer que o único inocente morto no Jacarezinho foi o policial. Todos os outros tinham passagem. Ainda assim, a gente não celebra a morte de ninguém. O ideal é que tivesse tido 27 presos, não foi possível.”

A entrevista foi gravada antes da morte de Kathlen Romeu, de 24 anos, atingida por uma bala perdida durante uma ação da Polícia Militar do Rio de Janeiro na comunidade do Lins de Vasconcelos na última terça-feira (8/6). A jovem designer estava no quarto mês de gravidez.

Como potencial estratégia a ser adotada para sanar a questão, o governador citou a instalação de câmeras em fardas e aeronaves policiais. O titular do Palácio Guanabara, entretanto, ponderou que a adesão à tecnologia precisa ser feita com cautela. “Tudo na segurança pública é muito sensível. Você lida com vidas, com estratégia. Tem operações que só dão certo por causa do sigilo. Como você vai dar acesso a tudo? Tem que ter uma curva de aprendizagem, para a gente entender até que ponto o sigilo é necessário. [As câmeras] podem expor uma tática da polícia, expor a vida do policial”, argumentou (6’23”). Na última segunda-feira (7/6), Castro sancionou, com vetos, projeto legislativo que trata do assunto.

Durante a entrevista, Castro deu detalhes da ligação que recebeu do vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (sem partido), dias após a morte do menino Henry Borel Medeiros, de 4 anos. “Ele me ligou falando a história que ele falou pra polícia e queria saber o que acontecia”, contou. “A questão ali era [saber] o que acontece quando uma pessoa morre em casa. Eu disse que abre-se uma investigação e que a polícia ia ver.” O governador negou que o vereador tenha pedido qualquer favor e afirmou não ter tido outro contato com Jairinho após o crime.

Castro também falou da situação do pandemia de Covid-19 no Rio de Janeiro, das denúncias contra ele, da carreira musical, da gagueira e dos planos políticos para 2022. Confira:

Últimas notícias