Centrão quer convencer Alcolumbre a votar anistia para derrotá-la

Grupo associado à defesa de Bolsonaro no projeto afirmou que, na verdade, só quer superar de vez o tema e quer ajuda do presidente do Senado

atualizado

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Davi Alcolumbre estampa adesivo com a frase Criança é prioridade absoluta - PL 2628 já. Projeto ECA Digital, proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais. Adultização infantil Felca
1 de 1 Davi Alcolumbre estampa adesivo com a frase Criança é prioridade absoluta - PL 2628 já. Projeto ECA Digital, proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais. Adultização infantil Felca - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Uma ala do Centrão faz uma ofensiva para convencer o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a pautar de qualquer forma a anistia aos condenados por crimes políticos, com foco no 8 de Janeiro. Caciques desse grupo político procurarão o chefe do Legislativo nos próximos dias e afirmarão ser preciso superar o assunto de uma vez, mesmo votando e rejeitando em plenário a versão da proposta que beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).


Ao Metrópoles, interlocutores do Centrão afirmaram que tentarão convencer Alcolumbre a negociar a anistia, sugerindo as seguintes alternativas:

  • Tentar convencer bolsonaristas a aceitarem a “versão light” da proposta, com chances amplas de aprovação no Congresso.
  • Caso o PL não aceite essa alternativa, pautar a versão com perdão a Bolsonaro, com alta chance de rejeição em plenário.
  • Pautar a versão light e obrigar bolsonaristas a apresentarem emendas para alterar o texto em benefício de Bolsonaro, o que também poderia levar a uma derrota da direita em plenário.

O que o Centrão tem defendido, em outras palavras, é resolver a questão no voto e superá-la de uma vez, e não necessariamente atender ao que defendem PL e Bolsonaro. O grupo enxerga que, enquanto essa alternativa não for eliminada, o ex-presidente e sua família seguirão barganhando a anistia com Tarcísio e outros pré-candidatos da direita como condição para apoiá-los em 2026.

Alcolumbre tem dito que não aceita pautar uma versão da anistia que beneficie Bolsonaro. Ele resiste a contrariar abertamente uma eventual condenação do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF), o que deflagraria uma crise entre Poderes.

Até o momento, o PL de Bolsonaro tem afirmado contar com apoio do União Brasil, do Republicanos e do PP. Mas somente no caso do último partido, comandado por Ciro Nogueira (PI), há de fato adesão maciça à versão da anistia pró-Bolsonaro. Nas demais siglas, alas expressivas ainda preferem a versão do texto que não beneficia quem orquestrou a suposta tentativa de golpe.

Esses caciques avaliam que, caso Alcolumbre paute de fato a versão light da anistia, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), também tende a votar a proposta em plenário. Ele, inclusive, recebeu nesta quinta-feira (4/9) o líder do PL na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ), para discutir o texto, e sinalizou disposição em analisar o assunto após o julgamento de Jair Bolsonaro.

Enquanto isso, o STF seguirá até a próxima terça-feira (9/9) a análise da denúncia de tentativa de golpe de Estado, que atinge o ex-presidente e outros aliados próximos. Motta afirmou a aliados que não pautaria qualquer versão do texto enquanto o caso estivesse sob análise na Corte e aguarda o desfecho de Bolsonaro para tomar uma decisão.

As versões da anistia

Há dois eixos diferentes em discussão quando o tema é anistia. Há a versão que beneficia todos os condenados por tentativa de golpe de Estado e crimes semelhantes, incluindo Bolsonaro. Essa alternativa é defendida pelo PL, por uma ala do Centrão e pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que articula a aprovação da proposta na expectativa de um aval do ex-chefe para concorrer à Presidência em 2026. Esse texto enfrenta maior resistência no Congresso.

Em versões ainda mais “ousadas”, o PL beneficiaria o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), alvo de investigação sobre suposto crime contra a soberania nacional pela sua atuação nos Estados Unidos por sanções ao Brasil.

A versão mais consensual prevê uma anistia light, para beneficiar com redução de pena somente os condenados sem participação no núcleo de planejamento e logística da suposta tentativa de golpe. É a alternativa defendida por Alcolumbre e pela ala do Centrão mais alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e também o eixo que conta com mais chances de passar no Congresso. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), do mesmo modo, demonstra preferência por esse caminho.

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