
Campanha de Flávio quer virar página após nova ação contra Valdemar
Aliados tentam evitar que apuração contra dirigente atinja senador. Equipe aposta em agenda positiva para afastar desgaste

Integrantes da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avaliam que a investigação contra o presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, representa mais um obstáculo para uma candidatura que ainda tenta superar uma série de crises. A ordem é evitar que a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de bloquear mais de R$ 119,2 milhões em bens do dirigente respingue sobre o senador.
A estratégia é manter um distanciamento institucional em relação ao caso, sem fazer juízo de valor sobre as apurações e deixando a cargo de Valdemar a responsabilidade pelos esclarecimentos.
Dirigentes do PL afirmam que a investigação contra Valdemar precisa ser tratada separadamente da campanha presidencial. Nos bastidores, integrantes da legenda resumem a estratégia dizendo que é preciso colocar “a investigação em uma caixa e a campanha de Flávio em outra”. Parlamentares do partido também sustentam que a decisão de Dino representa uma perseguição política ao PL.
Em uma rede social, Flávio afirmou ter “certeza que o presidente Valdemar saberá dar todas as respostas aos pontos levantados”. O senador também disse ser “lamentável ver a PF atuando de forma seletiva para constranger um adversário político do atual governo”.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Como presidente do maior partido do Brasil, é natural que ele atue politicamente junto a deputados federais, em especial os do próprio PL. […] A Polícia Federal, que diz não ter efetivo, nem recursos para investigar as denúncias contra Lulinha, filho do presidente Lula, mais uma vez mobiliza recursos para atacar adversários do presidente. Essa perseguição precisa parar”, declarou.
Valdemar e as emendas
- A PF afirma que uma estrutura “informal” na Câmara permitia que Valdemar Costa Neto indicasse emendas parlamentares mesmo sem exercer mandato.
- Segundo a investigação, o presidente do PL usava servidores da Câmara para operacionalizar a destinação de recursos públicos.
- A investigação lista 21 emendas que somam R$ 119,2 milhões, mesmo valor bloqueado por decisão do ministro Flávio Dino.
- A PF aponta que três servidores atuavam em favor de Valdemar: Mariângela Fialek, responsável por coordenar e despachar as emendas; Nara Benedetti Nicolau Brum, que encaminhava planilhas e pedia ajustes nas indicações; e Garigham Amarante Pinto, que negociava as emendas e atuava como interlocutor do dirigente.
- Para a PF, mensagens obtidas na investigação mostram “claras manobras” para realocar emendas de acordo com orientações de Valdemar, em “evidente desvio de finalidade”.
- A corporação afirma que os três servidores tinham “plena consciência da clandestinidade dessa atuação” e participavam de uma “cogestão irregular” das emendas.
Valdemar Costa Neto afirmou, em nota, que a decisão de Flávio Dino parte de “premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária”.
O dirigente negou ter cometido qualquer crime e afirmou que não existe “qualquer prova, ou mesmo indício, de que tenha aderido conscientemente a um suposto esquema criminoso”.
Segundo Valdemar, é “natural e legítimo” que um presidente partidário “dialogue com parlamentares, defenda prioridades programáticas, articule interesses nacionais e regionais e influencie politicamente sua bancada”.
“Nada há de criminoso nisso. A atuação político-partidária somente poderia ter relevância penal se acompanhada de indícios concretos de fraude, desvio funcional, ocultação deliberada ou apropriação indevida da execução da despesa pública. Esses elementos não estão minimamente demonstrados”, afirmou.
Série de desgastes
Segundo integrantes da campanha, o inquérito da Polícia Federal e a decisão de Dino se somam a uma sequência de desgastes enfrentados pelo senador nos últimos meses. A avaliação é que a prioridade continuará sendo a contenção de danos para impedir que o noticiário negativo comprometa a imagem do pré-candidato.

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Frequência de envio: Diário
Ver todasAs turbulências começaram em maio, após a divulgação de diálogos entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Nas conversas, o senador negociava e cobrava recursos para financiar um filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A revelação das mensagens pegou a equipe de Flávio de surpresa e provocou mudanças. Embora o senador tenha tentado se desvincular do episódio, novos desdobramentos mantiveram o caso em evidência, entre eles a revelação de que Flávio se encontrou pessoalmente com Vorcaro depois de o banqueiro passar a usar tornozeleira eletrônica. O episódio também gerou desconforto entre aliados.
Nas últimas semanas, a campanha enfrentou uma nova crise após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmar, em vídeos publicados nas redes sociais, que foi “humilhada”, “desrespeitada” e “maltratada” pelo enteado. Michelle também chegou a cogitar deixar o PL e desistir de disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal, mas acabou convencida a permanecer no partido e deixar, por enquanto, apenas a presidência do PL Mulher.
As declarações tiveram impacto em um momento considerado delicado pela campanha. Integrantes da equipe trabalham para ampliar o desempenho de Flávio entre o eleitorado feminino, visto como um dos principais gargalos do senador.
Mudança de foco
Para tentar mudar o foco do debate, a campanha pretende intensificar a divulgação do que classifica como uma agenda positiva. Na próxima semana, Flávio deve lançar um conjunto de propostas voltadas para o público feminino e também trabalha para indicar uma mulher como candidata a vice-presidente em sua chapa.













