Câmara recebe pesquisa sobre percepção da corrupção na saúde

Frente Parlamentar Mista da Saúde organizou apresentação de estudo que mostra que 66,8% das pessoas consideram alta a corrupção na saúde

atualizado

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Marcelo Camargo/Agência Brasil
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1 de 1 Imagem de médico segurando um estetoscópio - Metrópoles - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Câmara dos Deputados recebeu, na quarta-feira (3/6), a apresentação dos resultados de uma pesquisa que aponta que a maioria da população considera alta a corrupção na área da saúde. Segundo o levantamento, 66,8% dos entrevistados classificam a corrupção no setor como alta, enquanto 92,5% afirmam perceber o problema nas instituições públicas e 88,4% nas privadas.

O estudo Indicadores da Percepção da Corrupção no Setor da Saúde, desenvolvido pela FGVethics e pela FGV Saúde em parceria com o Instituto Ética Saúde (IES), entrevistou 987 representantes de diferentes segmentos da cadeia da saúde, incluindo profissionais de hospitais públicos e privados, indústria farmacêutica, distribuidores, operadoras de saúde, organizações sociais, órgãos reguladores, médicos, enfermeiros, auditores e usuários do sistema de saúde.

Responsável pela apresentação técnica do estudo, a professora Ligia Maura Costa, coordenadora da FGVethics, destacou que a pesquisa combina indicadores de percepção com relatos de experiências concretas relacionadas à corrupção, ampliando a compreensão do fenômeno.

Os resultados mostram que 66,8% dos entrevistados classificam a corrupção na saúde como alta, enquanto outros 21,5% a consideram moderada. Na prática, quase nove em cada dez participantes percebem a corrupção como um problema relevante no setor.

Segundo Ligia Maura, os resultados revelam fragilidades institucionais, mas também apontam caminhos para fortalecer a governança, a transparência, a prestação de contas e os mecanismos de integridade no setor.

Entre as principais situações relatadas pelos participantes estão favorecimento em contratações, conflitos de interesse, influência indevida na prescrição de medicamentos, realização de exames e procedimentos considerados desnecessários, além do receio de denunciar irregularidades.

A pesquisa apontou ainda que 63,6% dos participantes afirmaram já ter vivenciado, testemunhado ou tomado conhecimento de situações concretas relacionadas à corrupção na saúde.

Debate na Câmara dos Deputados

Promovida pela Frente Parlamentar Mista da Saúde, a apresentação de quarta-feira aconteceu no Salão Nobre da Câmara dos Deputados. O evento reuniu parlamentares, representantes de órgãos públicos, entidades do setor, pesquisadores e lideranças da sociedade civil.

Na abertura, o presidente da Frente Parlamentar , deputado federal Dr. Zacarias Calil, destacou que a corrupção na saúde ultrapassa os prejuízos financeiros e afeta diretamente o atendimento à população. “Quem vive a saúde por dentro sabe que a corrupção, a má gestão e a falta de transparência não significam apenas prejuízo financeiro. Na saúde isso pode significar fila maior, tratamento atrasado, medicamento que não chega, exame que demora e perda de confiança da população”, afirmou.

Para os organizadores do debate, os resultados da pesquisa “evidenciam uma preocupação que ultrapassa o ambiente acadêmico e exige o fortalecimento de mecanismos de transparência, governança e controle em toda a cadeia da saúde”.

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