Pesquisa identifica 14 proteínas capazes de prever câncer de pulmão

Pesquisa identificou que exames de sangue são capazes de prever com precisão o câncer de pulmão nos grupos predispostos ou não à doença

atualizado

metropoles.com

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Imagem de raio-x de câncer de pulmão - Metrópoles
1 de 1 Imagem de raio-x de câncer de pulmão - Metrópoles - Foto: Magnific

Já se sabe que diversos fatores ambientais, principalmente os atuais, têm maior influência na incidência de cânceres. Questões como poluição do ar, fumaça de cigarro e queima de carvão, por exemplo, podem estar associadas a mutações de células cancerígenas, com potencial causador de câncer de pulmão.

Porém, o rastreamento desse tipo de câncer, atualmente, é oferecido normalmente a pessoas com mais de 50 anos e que já fumaram, deixando de fora os não fumantes e os indivíduos expostos à poluição do ar.

Com apoio de instituições britânicas de pesquisa, como o Centro de Pesquisa Biomédica do Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde e Cuidados da UCLH, uma equipe científica desenvolveu um método baseado em aprendizado de máquina com o objetivo de prever o risco de câncer de pulmão com maior precisão a partir de exames de sangue, indo além dos critérios tradicionais, que se baseiam normalmente na idade do paciente e em hábitos de estilo de vida, como o tabagismo.

O estudo, publicado na revista Cell nesta quinta-feira (5/6), usou dados de proteínas do plasma do sangue de mais de 48 mil participantes do UK Biobank a fim de buscar uma assinatura de inflamação.

De acordo com o algoritmo criado pelos pesquisadores, o estudo descobriu um conjunto de 14 proteínas-chave no sangue que são capazes de antecipar um diagnóstico da doença em até cinco anos.

Segundo Tej Pandya, estudante de doutorado da UCL e cientista visitante no Instituto Francis Crick, esta é uma prova de conceito de que, um dia, essas assinaturas poderão ser usadas para oferecer tratamento preventivo a pessoas com risco de câncer de pulmão.

“Utilizamos o aprendizado de máquina em dados de plasma de mais de 48.000 pessoas para identificar a assinatura de 14 proteínas, e foi incrível validá-la em oito conjuntos de dados com mais de 80 colaboradores em quatro continentes. Trabalhando em conjunto com cientistas do laboratório para entender a biologia em modelos de camundongos, demonstramos que a assinatura reflete um ambiente inflamatório pulmonar alterado antes do câncer se instalar”, diz em comunicado.

Assinatura proteica que prevê a doença

A assinatura proteica encontrada foi validada em oito bancos de dados globais diferentes. Dessa forma, mostrou-se consistentemente elevada em pacientes que adoeceram mais tarde, resultados que também se repetiram em um grupo de pessoas não fumantes, o que reforçou a eficácia do indicador.

Segundo a análise, constatou-se que esse sinal biológico não provém do tumor em si, mas sim de um pulmão inflamado e com alteração estabelecida antes do surgimento da doença.

Para a gerente de Informações de Pesquisa da Cancer Research UK, Hayley Brown, a pesquisa se torna fundamental para identificar os sinais de câncer precocemente.

“Ao revelar os primeiros sinais de alerta do câncer, esta pesquisa nos aproxima da possibilidade de intervir mais cedo e, potencialmente, impedir a doença antes que ela comece”, diz em comunicado.

A mesma inflamação pré-patológica foi observada de forma elevada em indivíduos que posteriormente desenvolveram outras complicações severas, entre elas a fibrose pulmonar idiopática e a doença pulmonar obstrutiva crônica. Assim, pode-se identificar que diferentes patologias pulmonares ligadas à idade tiveram início em uma inflamação pulmonar comum.

Nesse sentido, os cientistas descobriram que a exposição à poluição do ar estimula o sistema imunológico a liberar a interleucina-1 beta, sinal inflamatório que desperta células dormentes com mutações, processo que pode expandir um grupo de células em estado adaptativo de lesão, chamadas de KAC, as quais podem evoluir para o câncer.

Conforme testes realizados em camundongos expostos a poluentes, o bloqueio direcionado dessa interleucina conseguiu diminuir a população dessas células modificadas e desacelerar a formação inicial de tumores.

De acordo com os cientistas envolvidos, o projeto funciona como uma prova de conceito de que a medicina poderá, no futuro, oferecer terapias preventivas antes que o câncer de pulmão se instale definitivamente.

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