Brumadinho: número de mortos sobe para 150. São 182 desaparecidos

Este é o 13º dia de buscas na região. No total, 134 vítimas fatais foram identificadas. Equipes contam com cães farejadores para auxiliar

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 06/02/2019 18:37

Enviados especiais a Brumadinho (MG) – Chegou a 150 o número de mortos com o rompimento da barragem da mineradora Vale na Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). Esta quarta-feira (6/2) é o 13º dia de buscas desde a tragédia e ainda restam 182 desaparecidos, informou a Defesa Civil. No total, 134 vítimas fatais foram identificadas.

Os trabalhos desta quarta contaram com a ajuda do tempo bom, assim como na terça (5). Na segunda-feira (4), as buscas foram suspensas pela manhã devido à forte chuva daquele dia. As equipes seguiram com os esforços nesta terça-feira a pé, de barco e de helicóptero. Elas também contam com cães farejadores.

As buscas agora se concentraram nas áreas da Pousada Nova Estância, do refeitório da Vale e do pontilhão do trilho do trem – estruturas que foram soterradas pela avalanche de lama –, bem como pelo curso do Rio Paraopebas, onde foi localizado um carro.

O porta-voz do Corpo de Bombeiros, tenente Pedro Aihara, informou que as buscas estão concentradas, principalmente, em três áreas: no estacionamento, nos arredores do vestiário e na estação de tratamento de minério da barragem. Ele disse que as equipes continuam o trabalho com suporte de 25 máquinas para revirar a lama das camadas mais profundas.

O tenente desmentiu boatos de que as buscas por vítimas estão próximas do fim. “Essa operação é complexa e vai demandar muito tempo, não temos um prazo específico ainda”, afirmou. Aihara disse que há equipe específica para monitorar o tempo na região e, com a previsão de chuva para os próximos dias, o trabalho pode ser mais lento. Por fim, ele também garantiu que não houve diminuição do efetivo até o momento.

O delegado da Polícia Civil de Minas Gerais Arlen Bahia afirmou que os esforços de identificação e liberação continuam. “Já contabilizamos 134 corpos identificados, sendo que 124 já foram liberados e os familiares vieram. Os outros 10 ainda aguardam pela presença de parentes”, completou.

Para ajudar no trabalho, o delegado informou que, nesta quinta-feira (7), uma equipe do IML estará na Estação do Conhecimento para coleta de DNA das 9h às 17h.

Problemas na estrutura e equipe da Vale em liberdade
Nesta terça (5/2), houve a divulgação de relatório da consultoria alemã Tüv Süd, que atestou a estabilidade da barragem. O documento mostra que a base da estrutura estava no limite de segurança previsto pelas normas do país: havia problemas de drenagem e erosão na barragem.

Em visita a campo, a equipe encontrou 15 pontos que exigiriam atenção, como necessidade de um novo radar e medidores de pressão na estrutura. O documento foi concluído em agosto de 2018. A Vale disse que fazia inspeções constantes – a última em 22 de janeiro, três dias antes do colapso.

Além disso, por decisão unânime do Superior Tribunal de Justiça (STJ), engenheiros e funcionários da Vale presos semana passada foram postos em liberdade. Apesar da gravidade da tragédia, a Corte entendeu que a equipe da Vale prestou as declarações necessárias e não oferece riscos à sociedade, portanto não há fundamentos suficientes para manter as detenções. Buscas e apreensões foram feitas na empresa.

A Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale formalizará um pedido aos conselhos de Administração e Fiscal da Vale para que os executivos da mineradora sejam destituídos de seus cargos. A direção da empresa divulgou que 107 parentes de vítimas ou funcionários atingidos já receberam o auxílio de custo liberado pela Vale, no valor de R$ 100 mil – a medida é um auxílio imediato aos atingidos, não se tratando de indenização ainda.

Terror em onda
Oito dias após o rompimento da barragem, foram divulgados vídeos do momento do colapso das estruturas, registrados por câmeras de segurança instaladas na mina. É possível ver pessoas e carros que transitavam pela unidade da mineradora Vale serem atingidos pela lama, que chegou a uma velocidade máxima de 80 km/h, segundo estimativa dos bombeiros.

Assista:

Tragédia
A barragem mantida pela Vale no Córrego do Feijão rompeu-se no início da tarde de 25 de janeiro. Desde então, equipes trabalham para encontrar as vítimas da tragédia. O vazamento de lama fez com que uma outra barragem da empresa transbordasse. O restaurante da companhia foi soterrado, assim como o prédio administrativo da mineradora, e as buscas têm se concentrado nas áreas onde funcionavam essas estruturas.

A lama se espalhou pela cidade, e moradores precisaram deixar suas casas. Equipes de bombeiros e da Defesa Civil foram mobilizadas para a área e estão em busca de vítimas, sobreviventes e corpos dos mortos. Tanto o governo federal quanto o local (do município e do estado) montaram gabinetes de crise e deslocaram autoridades para a região.

Segundo o porta-voz do Corpo de Bombeiros, tenente Pedro Aihara, com o passar do tempo, há menos possibilidade de as equipes encontrarem pessoas com vida. Além disso, conforme informou, os corpos que estavam superficialmente encobertos pela lama já foram resgatados: ou seja, o trabalho agora se torna mais difícil e demanda escavações.

Os socorristas têm usado cajados e se arrastado pela lama em busca de sobreviventes e corpos. A estimativa é que os trabalhos durem, ao menos, até julho. Os bombeiros explicam que o serviço está sendo feito em etapas.

Veja imagens da tragédia:

Gui Prímola/Metrópoles

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