Brumadinho: engenheiros que atestaram segurança em barragem são presos

Investigadores apuram se documentos técnicos, feitos por empresas contratadas pela Vale, foram fraudados

Igo Estrela/Metrópoles

atualizado 29/01/2019 17:23

Engenheiros que atestaram a segurança da barragem 1 da Mina do Feijão, em Brumadinho (MG), que se rompeu na última sexta-feira (25/1), foram presos nesta terça (29). Ao todo, a Justiça de Minas Gerais expediu cinco mandados de prisão temporária, com validade de 30 dias, sendo dois em São Paulo e três no estado mineiro.

  • Confira os nomes: 
    André Yassuda – engenheiro preso em SP na TÜV-Süd
    Nakoto Mamba – engenheiro preso em SP na TÜV-Süd
    César Augusto Pauluni Grandchamp – funcionário da Vale preso em MG
    Ricardo de Oliveira – funcionário da Vale preso em MG
    Rodrigo Artur Gomes de Melo – funcionário da Vale preso em MG

A Polícia Federal também participa da operação e cumpre mandados de busca e apreensão em empresas que prestaram serviços para a Vale. Os investigadores apuram se documentos técnicos, feitos por empresas contratadas pela mineradora e que atestavam a segurança da barragem que se rompeu, foram fraudados.

Empresa alemã
A Polícia federal também cumpriu mandatos na sede da empresa alemã TÜV-Süd em São Paulo. A empresa foi responsável, em junho e setembro de 2018, por emitir um parecer que atestava a segurança da barragem que se rompeu em Brumadinho , causando a morte ao menos 81 pessoas.

Procurada, a empresa ainda não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.

Outro lado
A Vale informou, via nota publicada em seu site, que está colaborando com as investigações. “Referente aos mandados cumpridos nesta manhã, a Vale informa que está colaborando plenamente com as autoridades. A Vale permanecerá contribuindo com as investigações para a apuração dos fatos, juntamente com o apoio incondicional às famílias atingidas.”

Desastre
O número de mortos com a tragédia de Brumadinho subiu para 81. A informação foi dada ao Metrópoles pela coordenação da operação de socorro, comandada pela Defesa Civil, antes de os novos números serem disponibilizados no sistema de dados sobre a catástrofe.

Até o momento, 19 corpos foram identificados, segundo a Defesa Civil de Minas Gerais. São 271 desaparecidos e 192 pessoas resgatadas com vida. Nessa segunda (28), as equipes de busca recuperaram 14 corpos, sendo que dois estavam no micro-ônibus da Vale encontrado pelos socorristas.

De acordo com o porta-voz do Corpo de Bombeiros, tenente Pedro Aihara, o trabalho de localização e identificação das vítimas pode levar até meses, devido à complexidade.

Veja imagens:

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Ainda segundo o porta-voz do Corpo de Bombeiros, apesar de remota, existe a possibilidade de a corporação encontrar pessoas com vida. Os socorristas têm usado cajados e se arrastado pela lama em busca de sobreviventes e corpos. Eles estimam que os trabalhos durem ao menos até julho. Os bombeiros explicam que o serviço está sendo feito em etapas. Primeiramente, os helicópteros sobrevoam a região à procura de pessoas ou animais.

 

Gui Prímola/Metrópoles

 

 

 

Desastre
A barragem Mina Feijão rompeu-se por volta das 13h de sexta (25). O vazamento de lama fez com que uma outra barragem da Vale transbordasse. O prédio administrativo foi atingido e o restaurante da companhia, soterrado.

 

A lama se espalhou pela cidade, e moradores precisaram deixar suas casas. Equipes de bombeiros e da Defesa Civil foram mobilizadas para a área e estão em busca de vítimas. Tanto o governo federal quanto o local montaram gabinetes de crise e deslocaram autoridades para a região.

Confira imagens da tragédia e da repercussão nas redes sociais:

(Com agências de notícias) 

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