Após sanção de Bolsonaro, IBGE não sabe como incluir autismo no Censo

Lei foi aprovada após pressão de movimentos no Congresso e no Planalto, mas perguntas ficaram de fora do Censo Experimental

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 07/10/2019 6:55

A lei que inclui o autismo no Censo foi aprovada em cima da hora, em julho deste ano, após pressões de movimentos junto ao Congresso e ao Planalto. Sob o argumento de falta de tempo, entretanto, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deixou o tema de fora do Censo Experimental, que serve como “teste” para o levantamento realizado a cada 10 anos. 

O objetivo dessa pesquisa prévia, realizada em 2019 no município de Poços de Caldas (MG), de setembro a novembro, é “aperfeiçoar a logística da operação censitária”.  

Até o momento, o instituto não sabe como encaixar perguntas sobre a deficiência no questionário de 2020 e não deu detalhes sobre o caminho a ser percorrido para isso. “O IBGE está estudando a forma de investigação sobre o tema. Faz parte desse estudo a realização de testes cognitivos”, diz uma nota enviada. 

Diante desse cenário, o Movimento Orgulho Autista Brasil (MOAB) entrou com um requerimento para que o IBGE explique a ausência de perguntas sobre o autismo no Censo Experimental. 

Para integrantes da ONG, o ato se configura exclusão do grupo e indica que o instituto pode não cumprir a lei no ano que vem. A depender da resposta, o movimento avalia buscar a Justiça para que a inclusão seja garantida. 

Reviravolta
No início de julho, quando o projeto foi aprovado pelo Legislativo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) chegou a sinalizar seu veto no Twitter. Na ocasião, compartilhou um vídeo da presidente do IBGE, Susana Cordeiro Guerra, explicando por que a reivindicação de militantes, amigos e familiares de autistas era tecnicamente inviável. No entanto, nos bastidores, havia a informação de que o impasse estaria ligado à área econômica. 

Ativista pelos direitos das pessoas com deficiência, a primeira-dama Michelle Bolsonaro fez pressão pública, à época, pela inclusão. Durante um ato do lado de fora da Presidência da República, além de ser fotografada junto a manifestantes, ela foi filmada dizendo que conversaria com o ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o assunto. Seis dias depois, em 18 de julho, o presidente voltou atrás e decidiu pela sanção. 

Censo
Segundo o IBGE, o Censo vai coletar informações em todos os 5.570 municípios brasileiros. Para isso, cerca de 180 mil recenseadores estarão nas ruas entre os meses de agosto e outubro de 2020 para contar uma população estimada em 213 milhões de habitantes.

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