Antifacção: Motta diz ao governo que manterá texto aprovado na Câmara

Presidente da Câmara se reuniu nesta quinta com membros do Planalto para destravar análise do texto

atualizado

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Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (REPUBLICANOS - PB)
1 de 1 Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (REPUBLICANOS - PB) - Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), se reuniu nesta quinta-feira (19/2) com membros da Casa Civil, do Ministério da Justiça e da Secretaria de Relações Institucionais para destravar a análise da proposta que cria o Marco Legal de Combate ao Crime Organizado — chamada de PL Antifacção.

Segundo interlocutores do paraibano, Motta comunicou ao governo que a Câmara defenderá a manutenção do texto da proposta aprovado por deputados em novembro do ano passado.

O projeto voltou à Casa depois de sofrer mudanças durante a passagem pelo Senado. De acordo com relatos, o presidente da Câmara também comunicou que a expectativa é de que os deputados se debrucem sobre o projeto a partir da próxima semana.

Os membros do governo afirmaram a Motta que as pastas envolvidas no projeto vão voltar a analisar os textos aprovados na Câmara e no Senado, e que, depois disso, opinarão a respeito das mudanças.

Para Hugo Motta, a sinalização demonstra que o “ambiente de diálogo está mantido com o governo”.

O presidente da Câmara defendeu que a análise do tema é necessária para encaminhar a votação de outros projetos de interesse do Planalto, como a criação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) e o acordo Mercosul-União Europeia.

Nesta quinta, Motta também decidiu manter o deputado Guilherme Derrite (PP-SP) como relator do projeto. A decisão também foi comunicada ao governo.

Derrite foi alçado à relatoria do PL Antifacção por Motta em novembro, durante a primeira análise da proposta pela Câmara. À época, a escolha desagradou ao governo — autor original do texto —, que enxergou uma tentativa de esvaziamento do projeto defendido pelo Ministério da Justiça.

No Senado, a relatoria da proposta coube ao senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que tentou se afastar de polêmicas e adequar trechos considerados problemáticos no relatório de Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança de São Paulo e pré-candidato ao Senado pelo PP.

No início deste mês, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, responsável pela articulação política do Planalto, chegou a defender que Derrite fosse destituído do posto.

Motta, no entanto, já havia sinalizado a aliados que era “natural” que Derrite fosse mantido à frente da proposta. A sinalização feita em dezembro, quando o texto retornou à Câmara, foi oficializada nesta quinta, por meio de um despacho.

Prioridade do governo

O PL Antifacção faz parte de um pacote do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de combate ao crime organizado. Além desse texto, o Planalto também tenta avançar com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança.

O projeto que volta à análise da Câmara aumenta a pena de crimes cometidos por membros de organizações criminosas. O texto prevê até 60 anos de cadeia para uma série de condutas. Além disso, a proposta de Alessandro Vieira também estabelece situações nas quais a punição pode dobrar, chegando a 120 anos de prisão.

O texto também torna mais difícil a progressão de regime para envolvidos com grupos criminosos e determina que chefes de facções e milícias terão de cumprir as penas em presídios federais de segurança máxima.

Outros pontos do projeto tratam de mecanismos para a integração de forças de segurança no combate ao crime organizado, além da criação de uma regra que permite que conversas e visitas a presos de organizações criminosas e milícias sejam monitoradas.

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