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Brasil

Animais marinhos correm sério risco com aquecimento dos oceanos

Oceanos têm registado novos recordes de temperatura que acendem o alerta de pesquisadores sobre o futuro da biodiversidade marinha

14/08/2023 02:00
Getty Images/ Giordano Cipriani
Foto colorida de animais marinhos no oceano - Metrópoles

A temperatura da superfície dos oceanos atingiu 20,96°C em julho, um novo recorde de calor, segundo o serviço meteorológico Copernicus, da União Europeia. O cenário é de preocupação: especialistas ouvidos pelo Metrópoles alertam que a alta nos termômetros se impõe como um sério risco para a vida dos animais marinhos, sem distinção de espécie ou tamanho.

A professora Kyssyanne Samihra Santos Oliveira, do Departamento de Oceanografia e Ecologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), destaca que o aquecimento dos oceanos é provocado por uma junção entre o El Niño e o aumento das emissões de gases de efeito estufa.

“A atual causa do aquecimento dos oceanos é o aquecimento global causado pelo aumento dos gases de estufa. Atualmente, a gente tem o El Niño contribuindo também. Durante os anos de El Niño a gente espera o aumenta de temperatura da superfície do mar e outras bacias oceânicas, mas, além disso, a própria variabilidade natural de algumas bacias oceânicas também estava em aquecimento”, explica Kyssyanne.

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Os efeitos desse aquecimento são sentidos diretamente na vida marinha, desde pequenos invertebrados até grandes mamíferos. Eduardo Bessa, professor de pós-graduação em ecologia na Universidade de Brasília (UnB), esclarece que o aumento da temperatura dos oceanos impacta no comportamento dos animais.

“Boa parte desses grandes mamíferos aquáticos tem a alimentação toda baseada em ambientes com temperatura da água mais baixa. Por exemplo, ao redor da Antártica, para o sul da Austrália, sul da América do Sul. Nesses ambientes a temperatura sendo mais baixa tem mais oxigênio na água. Portanto, mais organismos ali que eles usam de alimento”, exemplifica o professor da UnB.

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Segundo Kyssyanne, no hemisfério norte os pesquisadores têm observado que o calor extremo tem acabando com a biodiversidade marinha. “Por exemplo, as últimas duas ondas de calor que a gente teve agora no Mediterrâneo e no Atlântico Norte gerou uma perda de biodiversidade gigantesca não somente em volume, mas em área também”, afirma.

A professora da Ufes destaca que o prejuízo ainda está sendo catalogado, mas a expectativa é que um grande número de animais e corais seja perdido em decorrência dos novos recordes de temperatura.

Lixo nas águas

Kyssyanne ressalta que os animais marinhos ainda sofrem com a decomposição de nutrientes descartados pelo ser humano, como, por exemplo, o esgoto que é jogado no mar. A professora esclarece que essas substância acabam consumindo mais oxigênio e prejudicando a biodiversidade.

“A gente está observando uma redução de oxigênio, principalmente nas regiões costeiras, por causa desse aporte de nutrientes e do descarte da matéria orgânica. Então, além do próprio aumento da temperatura afetar a biodiversidade marinha, a redução da concentração de oxigênio afeta invertebrados, vertebrados, todos os níveis de peixes e mamíferos marinhos”, expõe a professora.

Para tentar reverter esse cenário, os professores afirmam que o Brasil precisa, cada vez mais, investir em programas para reduzir o desmatamento e a liberação de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento do planeta como um todo.

“Fiscalizar o aumento do desmatamento, principalmente no Cerrado, e conservação de áreas verdes”, mensura Eduardo Bessa na esfera governamental. No entanto, ele esclarece que a sociedade também pode fazer a sua parte se tentar reduzir o uso de veículos à combustão e utilizar meios mais sustentáveis, como transporte coletivo e bicicletas.

Kyssyanne alega que, além de combater o desmatamento, o governo poderia realizar parcerias públicas privadas para tentar diminuir a liberação de esgoto nos oceanos. “porque isso gera uma perda de biodiversidade gigantesca e acoplada ao aquecimento global tem sido uma preocupação no mundo inteiro”, conclui Bessa.