Aliados de Paes podem ficar fora da disputa pela presidência da Alerj
Dirigentes de partidos do grupo do ex-prefeito afirmam que bloco vai participar apenas se a votação for secreta
atualizado
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Dirigentes de partidos aliados ao ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) decidiram na manhã desta quinta-feira (16/4) que o bloco deve lançar candidato à presidência da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) se a eleição for realizada por voto secreto.
Se a disputa ocorrer em votação aberta (com registro público dos votos), o bloco deve ficar fora da disputa. Nesse cenário, os dirigentes também defendem repetir a estratégia adotada na eleição anulada de março: esvaziar o plenário e não registrar votos.
Uma liderança do grupo afirmou que os dirigentes partidários entendem que, em uma votação aberta, as “pressões não republicanas viciam o processo”. Se a votação for secreta, o escolhido para representar o bloco é o deputado Vitor Júnior (PDT).
A decisão foi discutida por dirigentes do PSD, MDB, Podemos, PT, PDT, PSB, Cidadania, PCdoB e PV. Lideranças do grupo na Alerj ainda devem se reunir nesta quinta para discutir a estratégia.
A Alerj vai eleger um novo presidente na manhã desta sexta (17/4). O comando da Casa está vago desde a cassação de Rodrigo Bacellar, condenado no mesmo julgamento que tornou Cláudio Castro inelegível.
Desde dezembro, a Assembleia vinha sendo comandada interinamente por Guilherme Delaroli, vice-presidente que assumiu após o afastamento de Bacellar, por decisão do STF, em um caso que envolve uma suposta ligação do ex-parlamentar com o Comando Vermelho.
Em março, a Alerj chegou a eleger Douglas Ruas (PL) para presidir a Casa, mas o pleito foi anulado por decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Na ocasião, o TJRJ entendeu que o pleito estava condicionado à formalização dos trâmites para substituir Rodrigo Bacellar.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio validou, na terça (14/4), a retotalização dos votos que definiu Carlos Augusto (PL) como novo titular da cadeira de Bacellar. O entendimento da Alerj foi de que, agora, os requisitos para a nova convocação estão preenchidos.
Os partidos de oposição a Cláudio Castro e aliados de Eduardo Paes defendiam que a Alerj aguardasse o término do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as regras para o mandato-tampão para definir um novo presidente.
No STF, o julgamento foi interrompido após quatro ministros votarem a favor da escolha do governador-tampão pelos deputados estaduais, em eleição indireta na Alerj. Apenas um voto foi por eleições diretas.
Apesar disso, o Supremo decidiu que o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, deve continuar no comando do estado até nova decisão.
Na prática, isso impede que o futuro presidente da Alerj — segundo na linha sucessória fluminense — assuma o governo. A decisão frustrou aliados de Douglas Ruas, que viam na presidência da Alerj uma forma de levá-lo ao comando do estado e fortalecer sua pré-candidatura ao governo.
Nesta quinta, a bancada do PL deve se reunir para discutir a estratégia da nova eleição na Alerj. A tendência é que Douglas Ruas seja confirmado novamente como candidato, mas uma ala da sigla defende que ele não concorra, já que o cargo não garante mais a possibilidade de assumir o governo interino.
