Alcolumbre falta a evento, e Planalto vê novo sinal distanciamento

Senador não compareceu à cerimônia na quarta. Relação com Lula piorou após rejeição de Messias ao STF, e aliados tentam apaziguar

atualizado

metropoles.com

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LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova
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1 de 1 lula-e-alcolumbre-4 - Foto: LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não compareceu ao evento que marcou os 100 dias do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, iniciativa firmada entre os Três Poderes em fevereiro. Na cerimônia de lançamento, estiveram presentes os chefes do Executivo, Legislativo e Judiciário. Desta vez, Alcolumbre foi o único ausente.

Segundo a assessoria do senador, a ausência ocorreu por motivos pessoais. O Legislativo foi representado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e pelo segundo vice-presidente do Senado, Humberto Costa (PT-PE), que participou da cerimônia nessa quarta-feira (20/5) ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin.

Integrantes do Planalto interpretaram a ausência como mais um sinal de distanciamento entre Lula e Alcolumbre. Na semana anterior, o senador também não participou do lançamento do Programa Brasil contra o Crime Organizado, no Planalto, ocasião em que apenas Motta representou a cúpula do Legislativo.

O clima e a relação entre Lula e Alcolumbre azedaram depois de o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF. Nos bastidores, aliados do presidente e do chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) atribuem ao senador amapaense papel central na derrota histórica — a primeira rejeição a um indicado ao Supremo em 132 anos.

Alcolumbre nunca escondeu a preferência pela indicação de seu antecessor na presidência do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), para a vaga na Corte. Jorge Messias foi anunciado por Lula em novembro de 2025 para ocupar a cadeira aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

O presidente, porém, demorou a formalizar a indicação e a encaminhar a documentação necessária à Casa, responsável pela sabatina e aprovação dos indicados ao Supremo. A avaliação no governo era de que a estratégia poderia reduzir resistências ao nome de Messias, o que acabou não se confirmando.

Reservadamente, senadores governistas e da oposição afirmam que a derrota vinha sendo construída desde o ano passado. Parlamentares relatam que Davi Alcolumbre orientou colegas a votarem contra a indicação e chegou a afirmar, em conversas por telefone e WhatsApp, que “derrotaria esse cara”.

Integrantes da base governista avaliam que a atuação do presidente do Senado foi decisiva para o resultado.

Messias de novo

Lula tem sinalizado a aliados que pretende indicar novamente Jorge Messias ao STF. Regras internas do Senado, no entanto, impedem que um nome rejeitado pela Casa volte a ser analisado no mesmo ano. Pessoas próximas ao presidente defenderam a escolha de outro indicado, mas Lula tem demonstrado resistência em recuar.

No Senado, aliados do governo avaliam que insistir em Messias pode consolidar uma nova derrota e ampliar ainda mais o desgaste com a cúpula da Casa.

A relação entre Lula e Alcolumbre também foi tensionada pela derrubada de um veto ao projeto que pode reduzir penas de condenados pelos atos de 8 de Janeiro. Nesta quinta-feira (21/5), o presidente do Senado deve comandar uma nova derrota ao governo em sessão conjunta do Congresso com a derrubada de vetos presidenciais à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026.

A proposta pode permitir que municípios inadimplentes — mais de 3 mil, segundo Alcolumbre — recebam recursos de transferências voluntárias do governo federal.

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Hugo Motta, Lula, Vital do Rêgo e Davi Alcolumbre acompanham a cerimônia de posse de Odair Cunha no TCU
Hugo Motta, Lula, Vital do Rêgo e Davi Alcolumbre acompanham a cerimônia de posse de Odair Cunha no TCU
Lula e Alcolumbre sentaram lado a lado, mas não conversaram durante posse de Nunes Marques como presidente do TSE
Lula e Alcolumbre participaram da posse de Nunes Marques como presidente do TSE
O presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na cerimônia de posse de Odair Cunha no TCU
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O presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na cerimônia de posse de Odair Cunha no TCU

Antônio Leal/TCU
Hugo Motta, Lula, Vital do Rêgo e Davi Alcolumbre acompanham a cerimônia de posse de Odair Cunha no TCU
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Lula e Alcolumbre sentaram lado a lado, mas não conversaram durante posse de Nunes Marques como presidente do TSE

Valter Campanato/Agência Brasil
Lula e Alcolumbre participaram da posse de Nunes Marques como presidente do TSE
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Lula e Alcolumbre participaram da posse de Nunes Marques como presidente do TSE

Luiz Roberto/TSE

Reencontros e afastamento

Desde a rejeição de Jorge Messias, Lula e Alcolumbre estiveram juntos presencialmente em duas ocasiões e tiveram pouca interação pública. A mais recente ocorreu nessa quarta-feira (20/5), durante a posse de Odair Cunha como ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).

Na cerimônia, os dois estavam sentados à mesa principal, separados pelo presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo. Lula e Alcolumbre não interagiram durante a solenidade e trocaram apenas cumprimentos ao posarem para fotos no fim do evento.

Situação semelhante já havia ocorrido na posse do ministro Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), primeiro encontro público entre ambos após a rejeição de Messias ao STF. Na ocasião, os dois evitaram contato e demonstraram desconforto.


Rejeição de Messias ao STF

  • A última vez que o Senado barrou indicações ao STF foi em 1894, no governo de Floriano Peixoto.
  • Naquele ano, a Casa rejeitou cinco nomes que haviam sido enviados por Floriano Peixoto.
  • A indicação de Jorge Messias recebeu 42 votos contrários e 34 favoráveis.
  • Para ser aprovado, Messias precisava de ao menos 41 votos favoráveis.
  • A indefinição e a vaga aberta desde a aposentadoria de Barroso mantém o STF desfalcado.

Outro episódio interpretado por aliados do governo como sinal do distanciamento ocorreu durante a cerimônia no TSE. Alcolumbre evitou aplaudir Jorge Messias após o chefe da AGU ser citado no discurso do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti.

Apaziguamento

Interlocutores de Lula tentam reduzir a tensão entre o Planalto e a cúpula do Senado. Parlamentares governistas defendem a manutenção do diálogo com Alcolumbre para garantir o avanço de pautas de interesse do governo. Lideranças políticas também atuam para promover um encontro reservado entre Lula e o presidente do Senado com o objetivo de reaproximar os dois.

Dias após a derrota de Messias, os ministros José Múcio (Defesa) e José Guimarães (Relações Institucionais), ambos com trânsito no Congresso, se reuniram com Alcolumbre.

Aliados afirmam que os encontros tiveram o objetivo de distensionar e apaziguar a relação entre o amapaense e Lula. Interlocutores dos dois lados afirmam que há disposição para uma reunião presencial entre Lula e o presidente do Senado.

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