Alcolumbre e Moraes se reuniram antes de pedido para investigar Mendonça
Após ser citado em relatório da PF, ministro Alexandre de Moraes apresentou pedido de investigação contra o relator do caso Master

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem contado com o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na ofensiva contra André Mendonça. O magistrado se reuniu com o parlamentar, em Brasília, no mesmo dia em que encaminhou o pedido de investigação contra o colega ao presidente da Corte, Edson Fachin.
O encontro foi revelado pelo O Globo e confirmado pelo Metrópoles.
Moraes e Alcolumbre, que são próximos, alinharam o discurso sobre a relatoria de Mendonça no processo do Banco Master. Segundo o ministro, há indícios de que o relator teria direcionado investigações contra integrantes da própria Corte e contra o presidente do Senado por interesses pessoais e políticos.

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Ver todasA afirmação consta em decisão no âmbito do Inquérito das Fake News. O documento tem como base relatórios de inteligência da Polícia Federal sobre a atuação de Mendonça na relatoria das operações Sem Desconto e Compliance Zero.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesApós o encontro com Moraes, Alcolumbre respondeu aos questionamentos dos parlamentares que cobravam a abertura de um processo de impeachment contra Moraes.
Ele lembrou do financiamento de Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse, que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado só é o ministro Alexandre de Moraes?”, disse o senador.
Entenda a crise
- PF mapeou troca de mensagens e supostos encontros entre Moraes e Daniel Vorcaro.
- O ministro André Mendonça derrubou o sigilo do relatório da PF.
- O relator também pediu para que o caso fosse analisado em plenário.
- Com a crise instalada no Supremo, a PGR defendeu a nulidade dos atos de Mendonça.
- Moraes pediu a abertura de uma investigação contra Mendonça no Inquérito das Fake News.
- Fachin deu cinco dias para que Mendonça, Moraes, PGR e PF prestem informações.
O presidente do Senado, no entanto, desconversou sobre o pedido para investigar André Mendonça e abrir um processo de impeachment contra o magistrado.
“Não achei nada, que eu estou sentado naquela cadeira presidindo a sessão e não sei de nada”, declarou Alcolumbre a jornalistas.
Procuradas pelo Metrópoles, as assessorias dos ministros Alexandre de Moraes e Davi Alcolumbre não se pronunciaram sobre o assunto.
Troca de acusações
A crise começou após um relatório da Polícia Federal mapear trocas de mensagens e ao menos seis encontros entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
A suspeita é de que o integrante do STF tenha recebido vantagens econômicas para municiar o dono do Master com informações sigilosas sobre operações policiais.
O conflito escalou após Moraes afirmar, nessa quinta-feira (3/9), haver “fortes indícios” de que André Mendonça cometeu abuso de autoridade, crime de responsabilidade e improbidade administrativa na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero.
O ministro remeteu o caso ao presidente do tribunal, Edson Fachin, no âmbito do Inquérito das Fake News.
Nesta sexta-feira (4/9), Fachin retirou as acusações contra Mendonça e submeteu o caso à Presidência, comandada por ele. O presidente da Corte deu cinco dias úteis para o ministro e a Procuradoria-Geral da República (PGR) elaborarem um parecer sobre as alegações de Moraes.











