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Crise no STF e impeachment de Moraes dominam a pauta dos presidenciáveis

Sem citar Moraes, Lula pediu investigação ampla do caso, enquanto adversários foram mais incisivos e cobraram afastamento do ministro do STF

04/09/2026 04:30
LUIS NOVA / METRÓPOLES @LuisGustavoNova
Crise no STF e impeachment de Moraes dominam a pauta dos presidenciáveis

A crise do Supremo Tribunal Federal (STF), provocada pelo suposto envolvimento do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, levantou, entre candidatos à Presidência da República, a pauta do impeachment de magistrados. A maioria dos presidenciáveis tem defendido o processo publicamente — em uma estratégia para ganhar popularidade.

Moraes virou epicentro do conflito após um relatório da Polícia Federal mapear trocas de mensagens e ao menos seis encontros entre o magistrado e o banqueiro. A suspeita é de que o ministro do STF tenha recebido vantagens econômicas para municiar Vorcaro com informações sigilosas sobre operações policiais.

Todos os candidatos mais bem colocados nas pesquisas se manifestaram sobre o tema.

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Depois de preferir, inicialmente manter distância, o último a falar foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição. Sem citar diretamente Moraes, em vídeo divulgado na noite de quinta (3/9), o petista defendeu investigações a respeito do escândalo.

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O presidente declarou que a democracia “precisa de instituições fortes e respeitadas” e classificou ser “fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer”.

Na gravação, Lula afirmou ainda que o Brasil “não pode ficar refém de vazamentos seletivos” e defende a adoção de um código de ética para o Judiciário e para o Ministério Público, tema que é bandeira de petistas.

Já o candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), foi mais incisivo e aproveitou o caso para intensificar os ataques ao Judiciário e agitar seu eleitorado. O parlamentar cobrou a abertura “imediata” de um processo e disse que os senadores estão “anestesiados”.

“É inadmissível que tenhamos pessoas da cúpula do poder deste país suspeitas de vários crimes, isso não seja o assunto principal. É muito preocupante essa espécie de anestesia que estamos pelo Legislativo. Em especial, por parte desta Casa”, disse Flávio, durante discurso no plenário do Senado.

Outros presidenciáveis têm discurso alinhado ao do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista, Ronaldo Caiado (PSD) disse que o Senado “tem maioria para pedir e votar” o impeachment de Moraes. Segundo ele, a manutenção do magistrado no cargo é insustentável diante da quantidade de elementos trazidos no relatório da PF.


O que dizem os presidenciáveis

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — Defende investigação do caso, “sem blindagem de ninguém, doa a quem doer”. Não fala de impeachment e nem cita Moraes.
  • Flávio Bolsonaro (PL) — Defendeu que o Senado inicie o processo contra Alexandre de Moraes.
  • Ronaldo Caiado (PSD) — Argumentou que o ministro deve se afastar e passar por impeachment no Senado.
  • Renan Santos (Missão) — Protocolou pedido de impeachment de Moraes e Toffoli.
  • Augusto Cury (Avante) — Disse que o magistrado deve se explicar à Justiça e defendeu impeachment em caso de culpa comprovada.
  • Romeu Zema (Novo) — Criticou Moraes, defendeu impeachment e prisão do ministro do STF.

O candidato Augusto Cury, do Avante, também comentou o caso e disse que o ministro deveria “se explicar” ou então passar pelo impeachment.

“Alexandre de Moraes deve se explicar, sim. E se ele cometeu erros passíveis de uma exclusão, ele deveria ter a dignidade para se auto-excluir ou então sofrer o impeachment. Mas quem vai julgar é a Justiça”, declarou durante reunião em São Paulo.

Renan Santos, do Missão, foi além e protocolou um pedido de impeachment no Senado contra os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli por possível envolvimento no escândalo do Banco Master.

As solicitações, encaminhadas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), falam em “crime de responsabilidade” e “fatos de extrema gravidade”. O candidato afirmou que, se as suspeitas forem confirmadas, “podem indicar a existência de uma relação de favorecimento” entre os Toffoli e Moraes com Daniel Vorcaro.

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Flávio Bolsonaro e Lula adotam posições diferentes sobre o caso
Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury e Renan Santos
Moraes virou figura central de uma crise no STF
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Moraes virou figura central de uma crise no STF

Flávio Bolsonaro e Lula adotam posições diferentes sobre o caso
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Flávio Bolsonaro e Lula adotam posições diferentes sobre o caso

Arte Metrópoles
Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury e Renan Santos
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Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury e Renan Santos

Reprodução/TV Globo

Citados

Apesar de defender o impeachment de Moraes e criticar o escândalo do Banco Master, o senador Flávio Bolsonaro também aparece nas conversas de Vorcaro por causa do financiamento do filme Dark Horse, que conta a trajetória de Jair Bolsonaro.

O banqueiro teria feito um repasse de US$ 1,6 milhão para a obra em setembro de 2025, dias após o senador cobrar parcelas que estavam atrasadas. Esse repasse se soma a outros seis — dois de US$ 2 milhões e quatro de US$ 1,6 milhão —, realizados até maio de 2025, totalizando R$ 61 milhões.

Da ala petista, o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Congresso, foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero para apurar supostas irregularidades envolvendo o Banco Master.

Segundo os investigadores, o parlamentar teria recebido uma série de benefícios indevidos ao longo dos últimos anos – entre os quais, uso frequente de aeronaves ligadas ao grupo do empresário Daniel Vorcaro, ingressos para shows e negociação de um apartamento em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões.

Nesta semana, o ministro André Mendonça autorizou a queda do sigilo de um relatório da PF que mapeou troca de mensagens e supostos encontros entre Moraes e Daniel Vorcaro.

Oposição e Alcolumbre

Os senadores Alessandro Vieira (MDB-SE), Carlos Viana (PSD-MG), Cleitinho (Republicanos-MG), Damares Alves (Republicanos-DF), Esperidião Amin (PP-SC), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Izalci Lucas (PL-DF), Luis Carlos Heinze (PP-RS) e Magno Malta (PL-ES) defenderam o afastamento do ministro, por impeachment ou renúncia.

“É urgente o afastamento de Alexandre de Moraes pelo próprio Supremo Tribunal Federal, para o bem do Judiciário brasileiro. Não estamos falando aqui em atacar o Judiciário. Nada disso. Estamos falando em defender as instituições”, disse Carlos Viana, ao comunicar que a oposição já havia protocolado um novo pedido de impeachment contra Moraes.

Alcolumbre foi questionado por jornalistas sobre o teor das conversas entre o integrante do Supremo e o banqueiro. Ele criticou o excesso de pedidos de impeachment na Casa e não deu indicação de que pretende levar o caso adiante.

“Eu não achei nada, não devo achar nada. Minha percepção é que tem 109 pedidos. Isso não é normal: 109 solicitações no Congresso de impeachment dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal”, disse.

Capítulo a mais

Em um novo desdobramento da crise, nessa quinta, o ministro Alexandre de Moraes acusou André Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Ele encaminhou pedido ao ministro Edson Fachin, presidente da Corte, para providências.

Moraes utilizou-se do chamado Inquérito das Fakes News (aberto em 2019) para pedir ações contra o colega de Corte.

Por sua vez, Fachin abriu um procedimento para esclarecer se há nulidade nas ações do ministro André Mendonça ao pedir que a Polícia Federal intensificasse apurações sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o ministro Alexandre de Moraes.

Fachin deu cinco dias para que os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o PGR, Paulo Gonet, se manifestem sobre o caso.