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Só resta para o chamado “arco democrático” apoiar Lula outra vez

A hora da verdade chegou para a direita que se diz civilizada

27/09/2026 04:30
Reprodução
Só resta para o chamado “arco democrático” apoiar Lula outra vez

Não foi unicamente o antipetismo, como hoje se diz com pressa e frequência, que elegeu Jair Bolsonaro — deputado federal do baixo clero — presidente da República em 2018. Foi também a facada que ele levou em Juiz de Fora e o fato de que Lula, à época, estava preso em Curitiba, condenado pelo juiz Sérgio Moro, promovido meses mais tarde a ministro da Justiça do novo governo.

Até o final de agosto, trancado em uma cela de 15 metros quadrados da Polícia Federal, Lula liderou todas as pesquisas de intenção de voto. Seu substituto como candidato, Fernando Haddad, teve apenas 26 dias para fazer campanha durante o primeiro turno. Mesmo assim, no segundo turno, ainda obteve 44,87% do total dos votos válidos. Convenhamos: um desempenho e tanto, dadas as circunstâncias.

Em condições normais de temperatura e pressão, o antipetismo nunca derrotou o petismo desde que Lula se elegeu presidente pela primeira vez em 2002 — lá se vão 24 anos. Fernando Collor venceu Lula em 1989, quando o PT sequer completara 10 anos de existência. Foi a primeira eleição presidencial pelo voto popular depois que os militares bateram em retirada, devolvendo o poder aos civis.

Collor sofreu impeachment, acusado de corrupção, e assumiu seu vice, Itamar Franco. As eleições seguintes (1994 e 1998) transcorreram sob o impacto do Plano Real. Somente Nossa Senhora Aparecida teria sido capaz de derrotar Fernando Henrique Cardoso, apresentado aos eleitores como o pai do plano que dominou a inflação. Por aproximadamente quatro anos e meio, o real valeu um dólar. Beleza.

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Lula se reelegeu presidente em 2006, apesar do escândalo do Mensalão do PT — a compra de votos de deputados para aprovar no Congresso projetos de interesse do governo. A oposição preferiu deixá-lo sangrar ao invés de tentar impichá-lo, porque estava convencida de que o derrotaria nas urnas, àquela altura já eletrônicas. Dilma Rousseff sucedeu a Lula em 2010 e se reelegeu em 2014.

Não foram as chamadas “pedaladas fiscais”, como a história oficial registra, que derrubaram Dilma em 2016. Como disse o senador Romero Jucá, do MDB, era preciso fazer um “grande acordo nacional” para “estancar a sangria” da Operação Lava Jato, “com o Supremo, com tudo”. E se fez o acordo que resultou no impeachment de Dilma. Michel Temer assumiu a Presidência.

Para livrar-se de Bolsonaro, o tal do “arco democrático” (leia-se: a direita que se diz civilizada) ajudou Lula a se eleger em 2022. Se esse arco for de fato democrático, tapando ou não o nariz, se sentirá obrigado a ajudá-lo a se reeleger daqui a sete dias por falta de melhor opção. Nenhum dos candidatos com pretensão à terceira via decolou. Ou se vota em Lula, ou em Flávio, uma cópia mal ajambrada do pai.

A hora da verdade chegou para todo mundo. Valei-nos, Senhora Aparecida.

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