Pazuello, o general que virou piada de salão
Com medo de ser abandonado pelo governo ou preso durante sessão da CPI da Covid, Eduardo Pazuello declara-se suspeito de estar doente
atualizado
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Faça sua escolha. O que foi pior até aqui para o general Eduardo Pazuello, especialista em logística militar e ex-ministro da Saúde demitido pelo presidente Jair Bolsonaro?
1) Deixar o Exército para servir ao governo do ex-capitão;
2) Confessar que manda quem pode, obedece quem tem juízo, e ele tem;
3) Receitar cloroquina quando a pandemia matava em Manaus por falta de oxigênio;
4) Ser flagrado sem máscara em um shopping;
5) Faltar ao depoimento marcado na CPI da Covid-19.
E se ele, mercurial, perdesse o controle, estufasse o peito, respondesse grosseiramente a pergunta de um senador, e o presidente da CPI ordenasse sua prisão?
Isso poderia ter acontecido, sim. Poderá acontecer quando Pazuello for depor no próximo dia 19. Se não for, poderá ser levado à força para depor. Presidente de CPI tem esse poder.
No dia 26 de abril de 1999, o economista Francisco Lopes, presidente do Banco Central, foi preso por recusar-se a jurar que só diria a verdade na CPI que investigava crimes financeiros.
Saiu do Senado direto para a Polícia Federal, onde foi autuado. Só ficou livre tarde da noite depois de pagar fiança. Acabou perdendo o emprego no banco. Pazuello conhece a história.
O clima de desconfiança dentro do governo é cada vez mais denso. Ninguém confia em ninguém e Bolsonaro desconfia de todos, menos dos filhos. Em algumas ocasiões, também desconfia deles.
Bolsonaro teme que Pazuello diga à CPI coisas que deixem o governo mal. Pazuello teme ser apontado como o único ou o principal responsável pelos erros cometidos no combate ao vírus.
Bolsonaro finge que protege Pazuello e que ele poderá contar com sua ajuda. O general finge que confia no ex-capitão. A situação de Pazuello no Exército deteriora-se com rapidez
Sua imagem, entre os verde oliva, vai de mal a pior. Pazuello é um general da ativa. Pedir para passar à reserva só depende dele. Não quer pedir. E o Exército não quer que ele volte ao quartel.
A isso, dá-se o nome de “impasse”. Ou de “ímpasse”, como disse nos anos 50 um vereador de Fortaleza. “Ímpasse” seria um impasse definitivamente sem solução.


