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Obituário da candidatura de Flávio Bolsonaro a presidente

“Me humilhou ao telefone”: os bastidores da guerra entre Michelle e os enteados

25/06/2026 05:30
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KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Michelle Bolsonaro - Metrópoles

E aí, Jair Messias Bolsonaro? Não vai desautorizar o que Michelle disse no vídeo de 27 minutos sobre seus filhos homens, pelo menos dois, Flávio e Eduardo, citados nominalmente? E aí, Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL) que emprega Michelle e abriga a família disfuncional mais famosa do país? Se não demitir a autora do maior ataque sofrido por Flávio até aqui, é porque assina embaixo do que ela disse.

Flávio, Eduardo e Carlos pressionam o pai para que rebata as declarações de sua terceira mulher. As duas primeiras afastaram-se dele há muitos anos, e uma delas o traiu. Por ora, publicamente, antes do início do jogo Brasil x Escócia, Flávio limitou-se a afirmar que “hoje (ontem) é dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece. Vamos tratar de coisa boa, vamos tratar de futebol.” Na ocasião, o pré-candidato a presidente usava uma máscara de Neymar.

Sem que ninguém lhe pedisse, e porque é encantado com a própria voz, o pastor evangélico Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, respondeu a Michelle com dois trechos da Bíblia, e nem uma palavra a mais: “Casa dividida contra si mesma não subsistirá” e “Até o tolo, estando calado, é tido por sábio, e o que cerra os seus lábios, por entendido”. Malafaia sempre preferiu a eventual candidatura de Michelle à vaga de Lula.

Michelle desenterrou um episódio de novembro do ano passado para se queixar do modo como é tratada por seus enteados. Ela foi contra o apoio do PL do Ceará à candidatura de Ciro Gomes ao governo do Estado. Alegou que Ciro criticou seu marido, chamando-o de ultradireitista ladrão de gasolina, e também a Flávio, Eduardo e Carlos. Horas depois do que disse sobre Ciro, Flávio telefonou para ela de forma ríspida e a censurou por se meter com o que não devia.

— Ele me desrespeitou ao telefone, me humilhou. Eu não tinha nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Eles me tratam como se eu fosse uma idiota. Como se fosse alguém que chegou ontem. Eu não sou. Eu sei mais do que eles pensam. Tenho o direito de achar errado uma aliança com quem sempre se declarou inimigo do pai deles.

E acrescentou:

— Não vou trocar valores por pragmatismo político oportunista. Também não estou impedindo ninguém de fazê-lo, mas acho errado fazê-lo no primeiro turno. Ciro não terá meu apoio nunca e, na minha opinião, não deveria ter de ninguém da direita que apoia Bolsonaro. Não estou exigindo que se desfaça a aliança no Ceará, mas que se adie para o segundo turno.

A fala de Michelle foi bem concebida. Pareceu um desabafo espontâneo, embora ela tenha lido com naturalidade e sem se perder o texto que lhe oferecia um teleprompter. Michelle apresentou-se como uma mulher do lar, cuidadora do marido enfermo e preso, e incompreendida pelos filhos dele, que a desprezam e não dão ouvidos ao que ela diz. Se o pai é um reconhecido misógino, os filhos são piores do que ele.

O testemunho de Michelle abre mais um buraco no casco da candidatura de Flávio. Em seis meses de campanha, Flávio produziu três fatos negativos contra si mesmo: recebeu dinheiro do banqueiro mais corrupto da história recente do Brasil; bateu às portas do presidente dos Estados Unidos para pedir sua interferência em assuntos internos do Brasil; e foi jogado pela madrasta contra a maioria das mulheres que já o rejeitam.

Dará em nada? Dificilmente. O Brasil derrotou a Escócia por 3 x 0. Flávio arrisca-se a ser goleado por Lula, a não ser que abandone o campo, sendo trocado por outro candidato. Mas qual, a essa altura? Não adianta consultar Ancelotti, que tem mais o que fazer.

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