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O tsunami do pior da direita que varreu o Brasil

Vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno testa as leis informais da política e impõe a Lula o maior desafio de sua trajetória

05/10/2026 04:30
Getty Images
lula x Flavio Bolsonaro metropoles

Ela pode até não saber, mas metade dos brasileiros que votaram ontem para presidente da República se sente representada por um governo extremista, fundamentalista e fascista. Apenas isso.

Nas democracias, perdem-se eleições. Numa eleição, o que não se pode perder é a democracia. Se tal coisa não faz diferença para metade dos brasileiros, sinto muito, mas para a outra metade faz..

Não se pode dizer democrata quem chama golpe militar de revolução e tentativa de golpe de baderna. Democrata não é quem assiste calado a atos que desqualificam o processo eleitoral.

Tampouco é honesto quem se apropria de dinheiro público destinado ao pagamento de servidores, compra imóveis abaixo dos preços cobrados pelo mercado e aceita doações para equipá-los.

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Como confiar em quem é ligado ao crime organizado, condecora assassinos de aluguel e defende o direito de a polícia matar a rodo bandidos ou simples suspeitos de bandidagem?

Pode ser tudo, menos patriota, quem bate à porta de governos estrangeiros e hipoteca os interesses do seu próprio país em troca de ajuda para vencer uma eleição. Na verdade, é um entreguista.

Investigado por evasão de divisas, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa, Flávio Bolsonaro, até que prove sua inocência, não merece ocupar nenhum cargo público.

O tsunami que varreu o Brasil, produzindo muitos estragos ao final do primeiro turno das eleições gerais deste ano, não foi provocado pela direita, mas pelo que há de pior na direita.

Flávio atraiu 47,03% dos votos válidos contra os 45,16% de Lula, uma diferença de 1,87 ponto percentual. Sua vantagem crescerá quando órfãos dos demais candidatos migrarem para seu lado.

A política é regida por leis informais. Uma delas: candidato a presidente que vai para o segundo turno atrás do vencedor do primeiro está condenado à derrota. Esse é o maior desafio de Lula.

Mas leis informais existem para ser quebradas. Aconteceu em 2022: presidente candidato à reeleição nunca perde. Jair Bolsonaro perdeu no segundo turno por 1,80 ponto percentual.

Se arrependimento matasse, Jair estaria morto. Tivesse sido ele o candidato no lugar do filho, a essa altura o morto seria Lula. O DNA de golpista de Bolsonaro prevaleceu sobre a astúcia do político.

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