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Michelle voa em jato da FAB a São Paulo e leva 7 parentes a passeio

Decreto do presidente da República sobre voos de autoridades foi ignorado. De resto, a primeira-dama não é autoridade

atualizado 19/12/2021 8:03

Presidente Jair Bolsonaro (PL) e primeira-dama Michelle Bolsonaro desembarcam no Aeroporto Internacional de Doha, no Catar Isac Nóbrega/PR

Foi em agosto último. O fato tornou-se público em outubro. Mas só agora, acionada pelo jornal GLOBO via Lei de Acesso à Informação, a Casa Civil da presidência da República admitiu que 7 parentes da primeira-dama Michelle Bolsonaro foram levados a passeio a São Paulo. Nenhum prestava serviços ao programa Pátria Voluntária, cujo Conselho é presidido por Michelle.

A história de que eles eram voluntários do programa foi inventada pela ministra Damares Alves, da Mulher, Família e Direitos Humanos, tão logo se soube do ocorrido. Damares foi quem requisitou o jatinho da FAB que a levou à capital paulista na companhia de Michelle e dos seus parentes. Ali, depois de um compromisso oficial, as duas aproveitaram a noite.

Compareceram à festa de aniversário de Augusto Fernandez, influenciador digital e maquiador de ambas. Fernandez, no dia seguinte, pegou uma carona no jato de volta a Brasília. Decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro no ano passado disciplinou o uso de aviões da FAB por autoridades que viajassem a serviço, e somente a serviço porque de outra maneira não pode.

Diz o decreto que “comitiva que acompanhe autoridade em avião do Comando da Aeronáutica terá estrita ligação com a agenda a ser cumprida, exceto em caso de emergência médica ou segurança”. Nenhum dos passageiros do voo corria risco de morte. Nenhum era da área de segurança. Michelle não é autoridade pública e por isso não pode requisitar avião. Damares é.

Correm duas investigações sobre o episódio, uma do Tribunal de Contas da União, outra do Ministério Público Federal. Ou melhor: as duas foram abertas, mas estão paradas à espera que tudo seja esquecido em breve.